• O projeto Euca-drought, liderado pelo Dr. José Luis Ulloa, busca identificar genótipos de eucaliptos mais resistentes à seca e eficientes no uso da água.

A indústria florestal chilena contribui com quase 3% do Produto Interno Bruto, sendo o segundo setor mais importante depois da mineração, e representa 7% das exportações nacionais. No entanto, a água é um recurso essencial e limitado para manter as plantações. Por isso, desenvolver soluções sustentáveis é crucial para enfrentar situações de déficit hídrico, como o que afetou o país entre 2010 e 2021.

Uma iniciativa fundamental é a realizada pelo Laboratório de Genômica Florestal do Centro de Biotecnologia da Universidade de Concepción. Trata-se do projeto Euca-drought: Plataforma de seleção de variedades de Eucalyptus sp. tolerantes à seca e de maior eficiência no uso da água, financiado pela Agência Nacional de Investigação e Desenvolvimento (ANID) através do programa Fondef.

Este esforço ambicioso conta com a colaboração de entidades como a Bioforest S.A., o Instituto de Investigações Florestais e a Cooperativa de Melhoramento Genético Florestal, e é liderado pelo Engenheiro em Biotecnologia Vegetal e Doutor em Ciências Florestais, Dr. José Luis Ulloa.

O Dr. Ulloa explicou que, dentro do setor florestal, o eucalipto ocupa um lugar destacado, cobrindo 36% da superfície total plantada no Chile. É fundamental, portanto, enfrentar os desafios impostos pela baixa disponibilidade de água.

«O estresse por seca é uma das principais preocupações do setor florestal, pois provoca perdas devido à diminuição do rendimento, morte de plantas durante o estabelecimento, maior ataque de pragas e doenças, além de maior suscetibilidade a incêndios», afirmou.

No período de megasseca, acrescentou o pesquisador, o Chile experimentou um déficit hídrico entre 20% e 45% abaixo da média anual. Nesse contexto, surgiu o projeto Euca-drought.

«O principal objetivo do projeto é desenvolver um serviço de laboratório para selecionar indivíduos de Eucalyptus com maior tolerância à seca e maior eficiência no uso da água, garantindo a sustentabilidade da produção e reduzindo potencialmente o consumo de água com seu consequente impacto ambiental», explicou.

A pesquisa concentra-se na espécie Eucalyptus globulus, pois, como explicou o Dr. José Luis Ulloa, é a segunda espécie florestal mais plantada no território nacional e possui características adequadas para a produção de polpa de celulose, com crescimento rápido e alta adaptabilidade às condições do solo chileno, embora sua exposição a períodos prolongados de déficit hídrico prejudique seu desenvolvimento.

«O problema está relacionado ao fato de que essa espécie é afetada por períodos de seca prolongados e, devido às mudanças climáticas, projeta-se que na zona central haverá uma redução de 50% nas precipitações, o que afetará negativamente a produtividade. Por isso, busca-se elaborar estratégias para selecionar genótipos ou variedades capazes de crescer em condições de escassez hídrica, em detrimento daqueles que não conseguem», disse o Engenheiro em Biotecnologia Vegetal.

O projeto busca responder à pergunta sobre o que faz uma variedade de Eucalyptus globulus ser mais resistente à seca do que outra da mesma espécie. Para isso, diversas variedades de eucalipto são submetidas a condições controladas de seca em experimentos de estufa. Posteriormente, analisa-se o DNA dessas plantas para identificar diferenças genéticas que possam explicar sua resistência ou suscetibilidade à seca. Com esses dados, serão desenvolvidos testes laboratoriais que permitirão aos produtores identificar genótipos mais aptos a enfrentar a escassez hídrica.

Ranking de variedades
No primeiro ano de execução, o projeto já alcançou avanços significativos, conforme adiantou o Dr. José Luis Ulloa, permitindo a elaboração de uma lista que pondera os melhores candidatos a resistir a condições de seca.

«Desde o início do projeto até hoje já se passou um ano, no qual foi realizado o primeiro experimento de estufa, onde foi possível gerar um ranking de variedades ou também chamados “genótipos”, determinando quais são mais tolerantes e quais são suscetíveis. Além disso, foi possível identificar alguns locais no DNA que permitem diferenciá-los, o que nos possibilitará criar os testes laboratoriais mencionados anteriormente», comentou.

O Dr. Ulloa destaca que esses resultados têm grande potencial para melhorar a sustentabilidade na indústria florestal. Ao oferecer a viveiristas e empresas florestais um serviço que permite estimar a probabilidade de um genótipo específico de eucalipto tolerar eventos de seca, o projeto contribui para a criação de plantações mais resilientes e eficientes no uso da água. Essa abordagem é crucial, enfatizou o pesquisador, em um futuro onde a pegada hídrica e a sustentabilidade ambiental serão cada vez mais relevantes.

«Se considerado do ponto de vista produtivo, é urgente dispor de variedades que possam se adaptar às novas condições projetadas para o país, onde o cenário não é animador em relação às precipitações e condições climáticas para a zona central. Poder antecipar-se a essa situação é vital para garantir a sustentabilidade da produção no futuro», afirmou o Dr. José Luis Ulloa.

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