Um total de 23.290 hectares de florestas, e 53 de matos e pastagens foram devastados em todo o país na atual temporada de incêndios florestais, entre 1º de julho de 2024 e ontem. Essa área se soma às mais de 100 mil hectares que, segundo a Corporação Chilena da Madeira (Corma), não foram recuperadas após os mega-incêndios das temporadas de 2017 a 2023. Os sindicatos explicam que essa área pertence a pequenos e médios proprietários.
“O reflorestamento pós-incêndio mostra grande desigualdade. As grandes empresas florestais assumiram a recuperação em suas terras de plantações e florestas nativas, mas os pequenos e médios proprietários não conseguiram fazê-lo por falta de recursos”, diz o presidente nacional da Corma, Rodrigo O'Ryan.
Diante da tramitação do projeto de lei sobre incêndios, o setor florestal destacou a necessidade de que, junto com a abordagem preventiva, também sejam considerados os pilares do combate, a persecução penal (no caso de denúncias de intencionalidade) e a reposição ou recuperação, que corresponde ao reflorestamento.
Outros mecanismos
“Se a futura lei de incêndios não contemplar a recuperação das florestas e o reflorestamento, é crucial que sejam implementados outros mecanismos de apoio, como os que estão sendo avaliados atualmente pelo Ministério da Agricultura”, enfatiza O'Ryan e explica que, segundo informações do governo, “está sendo estudada uma nova Lei de Fomento que permitiria um incentivo direto para a florestação e reflorestação da área afetada por incêndios”. O líder adianta que o Executivo “quer ter uma proposta em março”. A meta seria florestar 10 mil hectares por ano. Embora esse número seja inferior às 20 mil ha anuais comprometidas pelo Chile, supera as 1.500 ha que têm sido a média nas últimas temporadas.
Michel Esquerre, presidente da Associação Sindical de Pequenos e Médios Empresários da Madeira (Pymemad), explica as razões que impedem seus associados de se recuperarem após um sinistro. “Um pequeno proprietário que tem seus investimentos planejados para 20 anos e sofre um incêndio fica sem recursos. Por isso é tão importante que haja um incentivo por parte do Estado”, enfatiza.
Sobre como esse incentivo ao reflorestamento deve funcionar, o representante da Pymemad considera que “essa contribuição deve ser direta; portanto, identifica-se uma propriedade e um proprietário e planta-se”.
“Reflorestar é um bom negócio para o Estado”
Esquerre alerta que “reflorestar é um bom negócio para o Estado”, pois “para cada milhão de pesos investidos, após 15 a 20 anos, recupera-se mais de 5 milhões de pesos, porque se recupera o investimento mais os custos financeiros”. Ele detalha que isso inclui impostos sobre valor agregado e renda, entre outros. “O custo para reflorestar um hectare varia entre um milhão e um milhão e quinhentos mil pesos”, revela Esquerre.
René Muñoz, gerente da Associação de Contratistas Florestais, destaca que “em um terreno queimado, que não foi reflorestado ou manejado, ocorre uma regeneração natural da vegetação, que se torna combustível para futuros incêndios, com 300 mil a 400 mil plantas por hectare”.
Na próxima Gala do Festival de Viña del Mar, será cobrado um ingresso de S3 mil do público, dinheiro que será destinado a reflorestar as áreas afetadas pelo incêndio de fevereiro de 2024. Isso permitirá plantar cinco mil mudas contribuídas pelos participantes e um número semelhante que será aportado pela organização. Muñoz explica que “esse número equivale a 8 ha, pois são necessárias 1.250 a 1.300 árvores para reflorestar cada hectare”.
Fonte:El Mercurio
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