Acoforag: “Não cabe a uma indústria ter que se armar, a segurança deve ser garantida pelo Estado”
René Muñoz, gerente da Associação de Contratantes Florestais (Acoforag), abriu uma nova edição do programa Conversando com a Acoforag refletindo sobre a violência que afeta o setor. O dirigente lembrou o assassinato de Manuel León Urra, de 60 anos, e os graves ferimentos sofridos por seu colega César Osorio, fatos ocorridos no último fim de semana na região de La Araucanía.
A isso somou-se a queima de cinco máquinas florestais na estrada que liga Carahue a Nueva Imperial. O fato motivou que o Ministério da Segurança Pública invocasse a Lei Antiterrorista, medida que Muñoz considerou necessária para dimensionar a gravidade dos ataques.
Um setor “puxado por todos os lados”
“O setor florestal está muito puxado por todos os lados. A indústria está ressentida pelos preços e pela baixa demanda, mas isso é cíclico e sabemos resistir. O que não podemos resistir é a violência armada que expõe nossos trabalhadores”, afirmou Muñoz.
O dirigente ressaltou que as condições de trabalho em zonas rurais tornam impossível replicar esquemas de segurança próprios de ambientes urbanos. “Não se pode cercar nem encher de câmeras uma floresta. Não se trata de pedir a um trabalhador que se defenda de quatro pessoas armadas com fuzis de guerra. Isso seria uma loucura”, acrescentou.
“A segurança é tarefa do Estado”
Muñoz insistiu em que não cabe às empresas florestais se armarem nem gastarem recursos em condições que não são viáveis. “A segurança pública tem que ser fornecida pelo Estado, está na Constituição: direito à vida, à integridade, ao trabalho, a circular livremente. Essa é a reclamação que fazemos”, enfatizou.
Lembrou que nos últimos 12 anos foram registrados 513 atentados, o que equivale a uma média de quatro por mês. A isso soma-se a alta intencionalidade nos incêndios florestais de verão, que supera 50%, cifra que catalogou como “uma anomalia mundial”.
Críticas ao manejo estatal
Em sua análise, o gerente da Acoforag criticou a falta de convicção dos governos em enfrentar o terrorismo e o crime organizado na macrozona sul. “Todos sabem que há redutos com drogas, tráfico de armas e veículos roubados, mas as polícias não entram porque seriam recebidas a tiros. Isso deixa o Estado paralisado e as comunidades expostas”, sustentou.
Também questionou as limitações nas regras de uso da força que restringem o atuar das Forças Armadas nos estados de exceção. “Se atiram em mim com uma escopeta, eu não posso responder proporcionalmente com outra escopeta. O Estado deve responder com mais força, porque caso contrário instala-se a desordem e cada um faz o que quer”, assinalou.
“Até quando”
Para Muñoz, a situação chegou a um limite. “Não reclamamos por reclamar, mas porque já são demasiados anos suportando que nos ataquem e destruam. A pergunta é: até quando? Até quando os trabalhadores florestais vão continuar expostos a este nível de violência?”, expressou.
Finalmente, advertiu que o gasto milionário em segurança sem resultados concretos só aprofunda a sensação de frustração no setor. “Tivemos um estado de exceção sem dentes que custou 23 bilhões de pesos. Se formos aos detalhes, os resultados têm sido mínimos”, concluiu.
A entrevista completa em nosso canal do Youtube: