Mais de US$ 400 milhões somam preliminarmente as perdas derivadas dos incêndios que afetam desde o fim de semana as regiões do Biobío e Ñuble, com maior força em Lirquén, comuna de Penco.
Assim o antecipam dois relatórios realizados por empresas consultoras que analisaram os impactos em ativos agrícolas e urbanos/residenciais, de acordo com os dados disponíveis até o meio-dia de ontem. O Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred) informou durante a manhã de ontem que se registravam 20 pessoas falecidas, 630 pessoas alojadas, 19 abrigos operativos, 1.533 pessoas afetadas, 325 moradias destruídas e 1.140 em avaliação.
Os números
De acordo com estimativas da GPS Property, as perdas econômicas associadas a estes eventos, principalmente em matéria agrícola, superariam os US$ 200 milhões. Isto, considerando os custos de combate aéreo e terrestre, infraestrutura danificada, destruição de ativos produtivos e interrupção de atividades econômicas.
Esse impacto não se limita apenas a hectares queimados, mas também inclui cercas, armazéns, moradias rurais, maquinário agrícola, estradas e redes críticas que sustentam a atividade florestal e agrícola de ambas as regiões, aponta o relatório. "A reiteração destes eventos instala um risco permanente que encarece os seguros, eleva os custos operacionais e acaba postergando ou freando decisões de investimento agrícola e florestal", comentou Osvaldo Errázuriz, gerente da área Agrícola da GPS Property.
Assim também, a Inciti, subsidiária da consultora, analisou as repercussões no âmbito mais residencial. Indicou que "considerando exclusivamente o valor das construções e não o valor do solo, as perdas econômicas potenciais preliminares estimam-se em torno de US$ 230 milhões". Para esse cálculo utilizou imagens de satélite e bases cadastrais do Serviço de Impostos Internos (SII). Desse modo, a estimativa inicial global de perdas da GPS soma uns US$ 430 milhões.
Por outro lado, Rodrigo Gil, gerente da área de Campos Agrícolas da Colliers, comentou que "estes incêndios apresentam uma estimativa preliminar de perdas de uns US$ 300 milhões, considerando hectares florestais arrasados, custos associados ao combate dos incêndios e à reconstrução de moradias e perdas no setor turístico", assinalou. A análise foi realizada ontem quando se contabilizavam umas 26.000 hectares queimadas, principalmente no Biobío.
"Além das perdas de vidas e materiais, danos relevantes afetam de maneira direta as coberturas vegetacionais, que vão desde terrenos de uso agrícola até bosques nativos, passando por plantações florestais e zonas de mato, que mostram uma perda ecológica e de biodiversidade muito importante", sustentou Gil.
A modo de comparação, em fevereiro de 2023, "El Mercurio" publicou que os incêndios florestais no sul do país —que haviam provocado uma vintena de falecidos— geraram perdas de US$ 540 milhões. Os sinistros haviam afetado 278.000 hectares nas regiões de Ñuble, Biobío e La Araucanía.
Empresas florestais combatem
A Corporação Chilena da Madeira (Corma) assinalou que as empresas florestais detiveram suas fainas produtivas nas zonas afetadas, destinando 100% de suas capacidades humanas e técnicas ao combate dos incêndios, com foco na proteção das comunidades e das equipes de emergência. O desdobramento do setor privado considera cerca de 5.000 brigadistas, mais de 65 aeronaves e 120 brigadas mecanizadas.
A empresa CMPC indicou que incêndios no Biobío e La Araucanía são enfrentados por mais de 260 brigadistas e 13 aeronaves dessa companhia.
Fonte:El Mercurio
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