Juan Carlos Field advertiu que a velocidade e o nível de destruição do fogo no Biobío e Ñuble superam tragédias anteriores e alertou para ataques a voluntários e eventuais intencionalidades.
O presidente da Junta Nacional de Bombeiros do Chile, Juan Carlos Field, classificou os incêndios florestais que afetam o centro-sul do país como "o pior que vi em 40 anos", em alusão à rapidez com que as chamas avançaram e ao nível de destruição registrado em zonas urbanas como Penco e Lirquén.
Em entrevista à Primera Pauta, Field comparou o cenário com Santa Olga em 2017, mas sublinhou uma diferença chave: "Aqui foi muito rápido". Segundo explicou, em poucas horas o fogo arrasou setores completos, sem dar margem de reação a vizinhos nem a equipes de emergência.
O presidente da Junta Nacional de Bombeiros relatou que esteve em terreno em zonas zero e observou como caminhos urbanos funcionaram como corta-fogos improvisados, o que evitou danos ainda maiores. Ainda assim, sustentou que o nível de intensidade e desastre supera o vivido em décadas de serviço voluntário.
Ataques a bombeiros em meio à emergência
Field abordou ainda os supostos ataques a bombeiros registrados em Angol e Concepción, fatos que classificou como inéditos e profundamente preocupantes. "Nos descontrola e nos desconcerta", afirmou, e destacou o papel dos Carabineros e da PDI na proteção das equipes.
No caso de Angol, detalhou que foram lançadas pedras contra um carro de bombeiros e foram ouvidos disparos, enquanto em Concepción houve detonações próximas. Embora tenha evitado afirmar que os ataques foram diretamente contra bombeiros, explicou que qualquer ação desse tipo obriga a retirar a equipe por razões de segurança.
O resultado, advertiu, é que as comunidades afetadas são diretamente prejudicadas. "Nós estamos prestando um serviço, mas se há risco, temos que nos retirar", afirmou, e fez um apelo para que se denuncie esse tipo de conduta.
Intencionalidade e preparação diante de incêndios
Questionado sobre uma eventual intencionalidade nos incêndios, Field foi cauteloso. Indicou que os Bombeiros contam com pessoal especializado em investigação de incêndios florestais, capacitado inclusive na Espanha, mas esclareceu que até agora não foram formalmente requisitados.
"Não podemos dizer se foi intencional ou não. Isso deve ser determinado pelo Ministério Público e pelas polícias", afirmou, com ênfase na importância de esclarecer a origem e a causa para prevenir futuras tragédias.
Embora tenha defendido a coordenação prévia do Estado e o trabalho conjunto com a CONAF e o Senapred, enfatizou que a preparação comunitária continua sendo chave. Destacou os programas de "comunidades preparadas", mas advertiu que ainda falta conscientização sobre evacuação oportuna e corta-fogos. "A vida não se recupera; o material sim", concluiu.
Fonte:Rádio Pauta
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