O Observatório das Florestas e Políticas Florestais —Bosquentrama— insistiu na urgência de avançar com a Lei de Prevenção e Mitigação de Incêndios Florestais (Boletim N°16.335-14) após o fogo ter devastado quase 40.000 hectares apenas nas regiões de Ñuble e Biobío durante a atual temporada. A rede de organizações reiterou o apelo que fizeram há mais de quatro meses ao parlamento para que desse urgência a esta lei e abrisse espaços para que as organizações comunitárias apresentassem suas necessidades.

Segundo análises técnicas da Corporação Nacional Florestal (Conaf) e relatórios de causalidade do Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred), 98,7% dos eventos estão vinculados à atividade humana, o que sugere que 75% desses incêndios poderiam ter sido evitados com medidas preventivas básicas. Até 22 de janeiro, a Conaf reporta um total de 2.972 sinistros em nível nacional que consumiram uma área preliminar de 63.522 hectares.

A região do Biobío lidera os danos com 38 incêndios e 31.378 hectares devastados, enquanto em Ñuble permanecem 10 incêndios e a área afetada chega a 8.281 hectares. As organizações da Bosquentrama exigem que a nova lei incorpore participação cidadã vinculante nos planos de prevenção, planejamento territorial focado na minimização de riscos, financiamento e fortalecimento de organizações comunitárias, e regulamentações mais estritas.

DESPROTEÇÃO

Marcela Morandé, líder da Associação de Mulheres Raízes do Sol de Collipulli, descreveu um estado de "psicose" e esgotamento emocional que está levando muitas famílias a considerar abandonar suas terras. "Todos os anos é um estresse tremendo e cada ano os incêndios são piores. É impressionante e não há um atalho, por que têm que passar todas essas mortes e esta destruição terrível", destacou.

Rodrigo Vargas, presidente da Associação Canal del Chacao de Quilpué, sustentou que a lei é apenas uma peça de um conjunto maior que deve incluir normas de construção e planos de emergência comunitários.

"Temos que buscar a maneira de poder estar preparados antes do incêndio. Prevenir e não estar como agora reagindo. Nos falta, por exemplo, como se constrói nos setores que são urbano-florestais, quais são os materiais de construção ou quais são as medidas de mitigação", avaliou.

FATORES DE RISCO

Raúl González de Oficios de Nahuelbuta destacou, desde Santa Juana na região do Biobío, o impacto crítico das plantações na propagação de incêndios. "Todas as plantações estão coladas às estradas principais, e nunca se mudou essa forma de organizar a cidade", afirmou.

Ricardo Medina, presidente de Peuma Florida, advertiu que a temporada se adiantou para a primeira quinzena de janeiro. "É terrível porque é preciso chegar ao fim do mês e depois vem fevereiro, que é o mais crítico", criticou.

AVANÇO LEGISLATIVO INSUFICIENTE

Em 21 de janeiro, a Comissão de Fazenda do Senado aprovou o despacho das indicações do projeto de Lei de Prevenção e Mitigação de Incêndios Florestais e o debate agora passa ao plenário do Senado. No entanto, as organizações advertem que as comunidades não podem continuar esperando.

Fabiola Videla, presidente do Comitê Ambiental Comunal de Paine, manifestou a vulnerabilidade que os territórios sentem frente à ameaça do fogo.

"Quando vemos que isso ocorre e que a resposta legislativa continua aí, dormindo ou estagnada por interesses que não são os da proteção da vida, é desesperador. Cada dia que passa sem esta lei, é um dia a mais que deixamos desprotegido nosso patrimônio natural, que é finalmente o que sustenta a vida nos territórios", acrescentou.

Fonte:La Tribuna

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