Uma equipe multidisciplinar de cientistas publicou na revista Nature Ecology & Evolution um estudo alarmante sobre a situação crítica da rãzinha de Darwin, uma espécie endêmica do Chile.

O fungo quitrídio, causador da doença quitridiomicose, foi identificado como o principal fator por trás da extinção de subpopulações desta pequena rã. A pesquisa, liderada pelo Dr. Andrés Valenzuela-Sánchez da ONG Ranita de Darwin, levou quase uma década e contou com a colaboração de especialistas do Chile, França, Suíça e Reino Unido.

O estudo, que captou a atenção da comunidade científica a ponto de merecer um comentário especializado dos editores da Nature Ecology & Evolution, mostra como o fungo quitrídio, que se acredita ter sido introduzido no Chile a partir da Ásia na década de 1970, está dizimando as populações da rãzinha de Darwin. Este patógeno já foi vinculado ao desaparecimento da rãzinha de Darwin do norte, também conhecida como sapinho-vaqueiro, na década de 1980.

O Dr. Valenzuela-Sánchez, que também é subdiretor de um programa de mestrado no Royal Veterinary College do Reino Unido, destacou a gravidade da situação, apontando que o sapinho-vaqueiro é o único animal chileno que provavelmente se extinguiu em tempos modernos devido a este patógeno.

Soledad Delgado, membro da ONG Ranita de Darwin e coautora do estudo, refutou uma hipótese há muito sustentada pela comunidade científica, que sugeria que um fungo com fase infectiva aquática não poderia se propagar eficazmente em populações terrestres de anfíbios. O estudo demonstra que o fungo quitrídio pode, de fato, se propagar e causar danos significativos em populações terrestres como a da rãzinha de Darwin.

A pesquisa foi realizada em três áreas-chave: o Monumento Natural Contulmo, a Reserva Biológica Huilo Huilo e o Parque Tantauco em Quellón. Neste último, um surto de quitridiomicose causou a morte de mais de 1.300 rãzinhas de Darwin em apenas um ano, levando a um resgate de emergência coordenado pelos administradores do parque e pela equipe do Dr. Valenzuela-Sánchez.

Os espécimes resgatados estão sendo cuidados no Zoológico de Londres, com o objetivo de reproduzir a espécie para sua futura reintrodução no Chile e desenvolver pesquisas para combater a quitridiomicose. Os resultados do estudo não são apenas cruciais para a conservação da rãzinha de Darwin, mas também oferecem um guia para mitigar o impacto da doença e encontrar soluções para a pandemia que afeta os anfíbios em nível global.

Como resposta a essas descobertas, a ONG Ranita de Darwin lançou um manual de prevenção da propagação da quitridiomicose, disponível gratuitamente em seu site, com o objetivo de educar e proteger as populações de anfíbios em parques nacionais e outras áreas de vida silvestre.

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