Um total de dez comunas da macrorregião sul concentram a maior quantidade de atentados contra contratantes florestais entre os anos de 2014 e 2025, evidenciando a persistência da violência rural em zonas-chave para a atividade produtiva florestal.

É o que revela um relatório elaborado pela Acfoforag, que sistematiza mais de uma década de atos de violência direcionados ao setor.

De acordo com o documento, a comuna de Collipulli, na Região de La Araucanía, encabeça a lista com 53 atentados, posicionando-se como o território mais afetado durante o período analisado. Segue-se Lumaco, também em La Araucanía, com 43 ataques, e Contulmo, na Região do Biobío, com 42 atos violentos, configurando um eixo crítico de insegurança para os contratantes florestais.

A distribuição territorial confirma que a violência não é um fenômeno isolado, mas persistente e focalizado em comunas onde a atividade florestal tem forte arraigamento produtivo e laboral.

René Muñoz, gerente da Acoforag, sustentou que o relatório evidencia que La Araucanía e o Biobío concentram a totalidade das comunas da lista, refletindo o impacto sustentado do conflito nessas regiões. “Para os contratantes florestais, esta realidade tem significado não apenas perdas econômicas associadas à queima de maquinário, caminhões e instalações, mas também um risco permanente para a segurança dos trabalhadores e suas famílias”, afirmou.

Do setor florestal, advertiram reiteradamente que a continuidade desses atentados gera um clima de insegurança estrutural, afetando o investimento, o emprego local e a estabilidade das cadeias produtivas associadas ao ramo. Igualmente, assinalaram que muitos desses atos não buscam apenas danificar infraestrutura, mas também intimidar e expulsar a atividade produtiva de determinados territórios.

Após mais de dez anos do início do período analisado, o ranking das comunas mais afetadas coloca novamente sobre a mesa a urgência de medidas de segurança focalizadas, coordenação interinstitucional e apoio efetivo às vítimas da violência rural, em um contexto onde o setor florestal continua sendo um dos mais expostos na macrorregião sul do país.


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