Os incêndios florestais, como os da catástrofe no Biobío, além da lamentável perda de vidas e da destruição de moradias, deixam para trás uma perda que vai muito além do visível. Além das crescentes emergências, o Chile tem enfrentado um problema silencioso que começa uma vez controlados os sinistros: a crucial etapa da restauração dos ecossistemas danificados.

Nesse contexto, Esteban Krause, o diretor regional da Corporação Nacional Florestal no Biobío (Conaf), em conversa com o Diario Concepción, explicou o impacto dos sinistros nos solos e a tardia recuperação dos ecossistemas e plantações consumidos pelo fogo.

Assim, Krause indicou que dos incêndios registrados durante o verão de 2023 no Biobío, ainda há mais de 40 mil hectares sinistrados que não se recuperaram, seja para uso produtivo ou de floresta nativa.

Nessa linha, o diretor da Conaf assinalou que "o que nós deveríamos ir trabalhando, é criar um Fundo de Recuperação Ambiental, porque quando se percorre os morros de Penco, Concepción e Tomé, os solos estão expostos à chuva, expostos a que existam deslizamentos de terra".

"Não estamos falando apenas das florestas de plantações de pinheiro, mas também de um ecossistema nativo que cumpria um papel de proteção", complementou Krause.

Para ilustrar a situação, o diretor da Conaf no Biobío assinalou a situação das voçorocas – grandes valas ou barrancos que se formam no solo pela erosão da água – em direção ao Rio Biobío e outros córregos. "Essas voçorocas hoje ficaram descobertas (...) a vegetação nativa que existia, tudo isso desapareceu", pontuou.

De acordo com Krause, atualmente não há instrumentos estatais focados na recuperação daqueles setores consumidos pelo fogo. Daí a proposta na Conaf aponta para gerar um fundo público-privado, inclusive que possa contemplar aportes internacionais.

Isso com o objetivo de "ir recuperando esses solos que têm mais risco de erodir e gerar problemas em populações, em cidades. E nisso custa muitíssimo que se lhe atribuam recursos (...) No caso da reconstrução de moradias e da situação da infraestrutura pública, está claro o que há que fazer. Mas no tema da recuperação ambiental, não há muita clareza".

Acordo histórico

Cabe recordar que em novembro de 2025, em um acordo histórico alcançado, o Conselho Regional do Biobío (CORE) aprovou um investimento de $12 mil 800 milhões destinado a enfrentar dois desafios urgentes para a Região: a recuperação de áreas afetadas por incêndios florestais e o fortalecimento da prevenção comunitária.

Trata-se de dois projetos impulsionados pela Conaf, que buscam apoiar pequenos e médios proprietários florestais, assim como as comunidades mais vulneráveis a este tipo de ameaças.

O primeiro projeto corresponde ao Programa FNDR de Recuperação Produtiva de Florestas Afetadas por Incêndios, incluído no Plano de Fortalecimento Industrial do Biobío. Esta iniciativa considera um investimento de $9 mil 800 milhões em um prazo de execução de 36 meses. O objetivo é reflorestar 4.000 hectares de floresta nativa e plantações produtivas, beneficiando diretamente 450 famílias que não contam com recursos para replantar após as últimas emergências.

No entanto, o plano de recuperação aprovado pelo Core Biobío só alcança abranger 10% da floresta e das plantações consumidas pelo fogo durante o verão de 2023.

Fonte:Diario Concepción

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