A criminalidade e a insegurança rural figuram como a principal preocupação para o setor agrícola. Inclusive, alguns atores do ramo colocam este tema como a primeira prioridade que deverá ser abordada pelo governo entrante de José Antonio Kast a partir de março.

Agricultores acusam que enfrentam uma grave crise de segurança em seus campos, com episódios de roubo que se tornaram cada vez mais recorrentes (ver nota relacionada). Apesar de a criminalidade rural ter se intensificado nos últimos anos, alertam que existem muito poucos dados que reflitam o verdadeiro panorama com o qual convive uma indústria que movimenta US$ 13,5 bilhões anuais.

Este cenário foi um dos motivos que levou a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) a elaborar pesquisas para medir o impacto dos roubos no agronegócio. Em sua segunda edição do Barômetro de Roubo Agrícola —realizado com 655 agricultores pequenos, médios e grandes entre 25 de dezembro e 26 de janeiro—, indicou que 77,4% da amostra declara ter sido vítima de roubo nos últimos 12 meses (ver infográfico).

Dentro deste universo, 43% indicou que sofreu roubos 3 ou mais vezes. Entre os entrevistados, 9,7% assegurou que houve violência física durante os roubos registrados em sua propriedade.

De acordo com o estudo, os elementos que geram maiores perdas econômicas para o setor são os insumos agrícolas ($2,730 milhões), instalações elétricas ($2,519 milhões), animais ($913 milhões) e maquinários ($885 milhões).

“Realmente há uma insegurança rural brutal. Desde o ano 88 que vivo no Maule e não tinha visto uma situação assim anteriormente”, diz Antonio Walker, presidente da SNA. “Há 20 ou 30 anos, viver no campo era sinônimo de tranquilidade, de paz e trabalhar tranquilo, hoje não é (...). Os roubos agora não somente são à noite, mas muitas vezes em plena luz do dia”, acrescenta.

Efeito econômico

Neste contexto, o informe da SNA estimou que, ao projetar o impacto econômico dos roubos anuais no agronegócio, a cifra ascende a US$ 530 milhões, um aumento de 39% versus a primeira medição (US$ 380 milhões).

Para Walker, este é “o indicador mais importante, porque reflete o nível de insegurança rural e de roubos brutais que temos (...) O preocupante é que, em vez de ir diminuindo, tudo isto vai aumentando”.

Diante do incremento do efeito econômico pelos roubos em zonas rurais, o dirigente assegura que esta situação poderia afetar a operação da indústria agrícola caso se mantenha em alta nos próximos anos.

“Com uma rentabilidade ajustada no setor agrícola, não podemos nos dar ao luxo de ter este nível de roubos e violência. Estamos muito desamparados nos setores rurais, é urgente abordar este tema (...) A agricultura emprega 1 milhão de pessoas e exporta US$ 13,5 bilhões. Este é um dos temas principais para abordar, com vistas a seguir desenvolvendo normalmente a atividade agrícola e de exportação”, afirma.

Neste contexto, Walker sustentou que a segurança rural foi um dos eixos das propostas que entregaram ao Presidente eleito durante seu período de campanha, por isso esperam avançar com o futuro mandatário nesta matéria. “O tema número um é a segurança rural, se quisermos que haja maior investimento e que se siga desenvolvendo a agricultura", sinaliza.

E propõe que, a nível legislativo, devem ser discutidos projetos para elevar as penas para roubos em zonas rurais e lugares não habitados, tal como ocorreu com a “brutal” diminuição nos crimes de roubo de madeira e usurpações com as aprovações de suas respectivas leis.

Fonte:El Mercurio

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