A revelação sobre uma iminente redução das vitais fiscalizações aos caminhões madeireiros nas diversas rotas principais e secundárias da Araucanía acionou imediatamente todos os alarmes na indústria. A polêmica medida, originada pelo colapso de recintos para abrigar maquinário apreendido em procedimentos policiais, gerou a rápida rejeição da Associação de Contratistas Florestais (Acoforag). René Muñoz, gerente do sindicato, criticou fortemente a decisão em uma entrevista, argumentando que o Estado não pode parar a aplicação da lei por um obstáculo logístico, justamente quando a inédita coordenação havia conseguido encurralar máfias e reduzir este ilícito milionário a níveis históricos na região.
O conflito ganhou notoriedade após ser revelado na imprensa que os Carabineiros informaram oficialmente à Secretaria Regional Ministerial (Seremi) de Segurança sua impossibilidade material de manter os controles viários regulares, dado que as comunas da região carecem de espaço disponível para guardar os grandes caminhões de carga apreendidos.
Diante do enorme rebuliço público e dos possíveis atritos interinstitucionais gerados pela medida, o secretário regional ministerial de Segurança da Araucanía, Israel Campusano, teve que sair para esclarecer que não existe qualquer incômodo ou ressalva com o intenso trabalho que as polícias desempenham. A autoridade detalhou que o único obstáculo real é a crítica falta de estacionamentos, uma severa trava preventiva que inclusive os levou a consultar formalmente à Controladoria Geral da República quem deve administrar esses recintos colapsados.
SETOR ADVERTE SOBRE PERIGOSA MENSAGEM DE IMPUNIDADE
Para a Acoforag, as justificativas do Governo não são respaldo suficiente para suspender uma tarefa policial crítica para a subsistência do setor. René Muñoz assegurou que afastar-se das vias de circulação é uma medida errática, oposta ao esforço para desmantelar os grupos que lucram com o roubo florestal. Abandonar os controles, adverte, poderia ser interpretado pelos grupos criminosos como uma permissão para operar em larga escala.
O roubo de madeira não abrange apenas caminhões em trânsito, mas uma cadeia criminosa que nasce no interior da floresta e envolve maquinário especializado e serrarias portáteis que devem ser enviados a pátios. Para reduzir essa saturação, o sindicato propõe concentrar a vigilância em rotas tronco que conduzem aos grandes centros de consumo.
Apesar do tropeço logístico, o ilícito madeireiro retrocedeu entre 80 e 90 por cento em relação a cinco anos atrás, impulsionado pela lei de 2022, que integrou protocolos e rastreabilidade entre a Conaf, o SII, os Carabineiros e as empresas afetadas.
No entanto, o setor espera que essa vontade legislativa se estenda a outra frente. "Esperaríamos que isso também possa ser extrapolado para a violência rural que destrói nossos equipamentos", concluiu Muñoz, apelando ao Estado para frear a problemática que atinge seus trabalhadores desde 1997.
Fonte:La Tribuna
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