O mercado da madeira de pinheiro radiata encerrou dezembro com sinais mistos, de acordo com informações do Infor. Enquanto a madeira serrada registrou uma nova queda no seu valor, a madeira aplainada conseguiu um leve repique interanual, num contexto onde a recuperação gradual do setor da construção civil começa a influenciar a demanda.
De acordo com os dados mais recentes, a madeira serrada apresentou em dezembro uma variação interanual de -3,3%, completando assim quatro anos consecutivos de descensos no seu preço real. Para 2025, o valor se situou em torno de 140 mil pesos por metro cúbico, abaixo dos 145 mil pesos registrados em 2024 e longe do pico alcançado em 2021, quando chegou a 165 mil pesos por m³.
Em contraste, a madeira aplainada mostrou um comportamento distinto, com uma variação interanual positiva de 2,5%, alcançando aproximadamente 235 mil pesos por m³ em dezembro de 2025. Trata-se do primeiro incremento anual desde 2021, ano em que este produto alcançou o seu máximo recente com cerca de 260 mil pesos por m³.
Por sua vez, o preço dos toros serráveis, que constituem a principal matéria-prima do processo produtivo, diminuiu 4,7% interanualmente. Com isso, o seu valor se aproxima novamente dos níveis observados em 2019, antes do ciclo marcado pela pandemia e pelo forte auge da construção. Ainda assim, os preços dos produtos elaborados — madeira serrada e aplainada — continuam consideravelmente acima dos níveis anteriores a esse período.
Recuperação da construção civil impulsiona a demanda
O comportamento do mercado madeireiro ocorre num contexto onde o setor da construção civil começa a mostrar sinais de recuperação. Segundo os números mais recentes, as licenças de edificação novas aumentaram 3,2% interanual em novembro de 2025, medidos em unidades a construir. Além disso, a superfície autorizada para novas obras cresceu 7%.
Em paralelo, o mercado imobiliário também reflete uma melhora, com um aumento de 18,3% nas habitações vendidas durante o terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Este repique na atividade construtiva está impulsionando a demanda por produtos derivados da madeira. Em particular, a madeira aplainada conseguiu sustentar os seus preços, mesmo quando o custo da matéria-prima — os toros serráveis — diminuiu.
Margens favoráveis para a indústria
A combinação de maior demanda desde a construção civil e menores custos na matéria-prima permitiu que os preços dos produtos elaborados se mantivessem relativamente firmes. Isto se traduz em margens de lucro significativas para a indústria madeireira, especialmente no caso da madeira aplainada.
Assim, embora o mercado ainda não retorne aos níveis de dinamismo do período de auge da construção, os dados sugerem que a recuperação do setor poderia começar a estabilizar os preços da madeira nos próximos anos.
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