Em uma expedição, uma equipe de cientistas chilenos, liderada pelo Dr. Pablo Guerrero Martin da Universidad de Concepción e pelo Dr. Gastón Carvallo Bravo da Pontificia Universidad Católica de Valparaíso, coletou informações valiosas sobre a flora subantártica e sua resposta às mudanças climáticas. A pesquisa focou em duas espécies vegetais, a gramínea Deschampsia e o arbusto Baccharis, que são fundamentais para entender como as mudanças globais afetam os ecossistemas subantárticos.

A diversidade da flora na região de Magalhães é notável, apesar das condições climáticas extremas. A equipe de pesquisa percorreu desde a comuna de Torres del Paine até o cerro Mirador em Punta Arenas, passando pela Reserva Karukinka na ilha Grande da Terra do Fogo. Com mais de 200 pontos de amostragem, foram coletados exemplares de Deschampsia antarctica e Baccharis magellanica, espécies representativas da região.

O Dr. Guerrero, pesquisador do Instituto Milenio BASE e do Instituto de Ecología y Biodiversidad (IEB), destacou a importância da D. antarctica, uma planta adaptada para sobreviver em condições de frio extremo, que é encontrada desde a região de Magalhães até a península Antártica. A equipe estudará a resposta molecular dessas plantas às mudanças ambientais, analisando seu RNA para inferir a atividade genética em resposta ao ambiente.

Por outro lado, a B. magellanica, com uma distribuição mais ampla no Chile continental, é um arbusto que cresce em áreas ventosas e pode atingir até 1 metro de altura. A coleta de amostras desta espécie complementa o estudo sobre a expansão biogeográfica e a evolução de traços funcionais no gênero Baccharis.

A colaboração interdisciplinar entre o Dr. Guerrero e o Dr. Carvallo, com mais de uma década de trabalho conjunto, foca em compreender os processos evolutivos e reprodutivos das plantas em diferentes ecossistemas do Chile. O estudo da D. antarctica inclui também análises do microbioma da planta, em colaboração com a Dra. Julieta Orlando, microbiologista da Universidad de Chile.

Com esta pesquisa, os cientistas esperam fornecer novas evidências sobre a resposta das plantas austrais às mudanças globais e fortalecer o conhecimento científico da ecorregião subantártica de Magalhães. Os resultados serão fundamentais para compreender os processos ecológicos, reprodutivos e evolutivos no extremo sul do mundo e para prever o futuro da biodiversidade em condições de mudanças climáticas.

Compartilhar: