Seis câmeras trap instaladas no Corredor Biológico Nevados de Chillán trouxeram uma notícia alentadora para a conservação de uma das espécies mais ameaçadas do país e de nossa região: o huemul. Os dispositivos, localizados em setores estratégicos da cordilheira de Ñuble, conseguiram captar múltiplos avistamentos, pelo menos sete indivíduos incluindo a presença de filhotes, o que acende uma luz de esperança sobre a recuperação dessa população crítica.
O trabalho é liderado pelo fotógrafo de natureza e vida selvagem Matías Medina, de 26 anos e natural de Chillán Viejo, que há cerca de cinco anos explora e monitora o habitat deste cervo na área. "O huemul de Ñuble é a população mais crítica que existe. Todo esse esforço busca saber onde ele habita, como se move e como podemos enfrentar as ameaças que colocam em risco sua sobrevivência", explicou.
Os registros correspondem principalmente ao mês de fevereiro passado, embora Medina também tenha relatado avistamentos em janeiro. Segundo ele detalhou, todas as câmeras instaladas forneceram resultados positivos, o que confirma a presença ativa da espécie na área monitorada. "O mais importante é que vimos vários filhotes, o que indica que a população está se reproduzindo e, potencialmente, crescendo", afirmou.
O projeto, no entanto, não tem estado livre de dificuldades. Medina tem financiado de forma independente grande parte do trabalho, incluindo a aquisição de câmeras cujo valor supera os 100 mil pesos cada. "Ninguém nos patrocina, tudo é dinheiro do próprio bolso, então isso torna tudo muito mais complexo para avançar rapidamente, porque uma câmera que não seja danificada na cordilheira custa mais de 100 mil pesos e preciso de pelo menos cinco para obter bons resultados de uma área, então é bastante dinheiro para explorar todo o território", comentou.
"Uma saída a campo nos leva cerca de 4 a 5 dias para cada quadrante a prospectar, muitas vezes sem resultados positivos, por isso tem sua complexidade. No entanto, de uma forma ou de outra, isso reflete o espírito que temos pela conservação do huemul, onde pudemos conhecer as áreas onde habita essa espécie ameaçada", acrescentou.
O fotógrafo adiantou que tem mantido conversas com a Conaf, a Forestal Arauco e a CMPC para concretizar futuras colaborações para trabalhar na conservação da espécie.
Restauração ecológica
O chillanejo Bastián Díaz, de 29 anos e estudante de Engenharia em Recursos Naturais, também participa da iniciativa e revelou que trabalham em uma estratégia para melhorar a conectividade entre os grupos de huemules que habitam na zona serrana de Ñuble.
"Um dos problemas é que, por exemplo, os grupos de huemules na região de Ñuble não estão se conectando. Portanto, o que estamos considerando agora como estratégia é poder gerar conexões entre grupos a partir da restauração ecológica das plantas das quais esses huemules se alimentam. Estamos coletando amostras de fezes de huemul para, com isso, obter o DNA das plantas que está contido nessas fezes, a fim de conhecer a dieta, e isso nos dá um dado muito mais rigoroso sobre qual é a dieta que eles estão tendo", explicou.
"O que esperamos com isso é poder coletar sementes das plantas que estão nesse lugar, reproduzi-las e ajudar na sua restauração ecológica nos locais onde a conectividade poderia ser melhorada. Tudo isso, obviamente, considerando perturbar o mínimo possível os huemules, mas já podemos pelo menos indicar que há uma temporada mais invernal ou outonal em que eles descem de altitude, então ali eventualmente poderíamos reintegrar essas plantas a esse ecossistema", acrescentou Díaz.
Ele ressaltou que os resultados obtidos até agora não apenas confirmam a presença do huemul na zona, mas também a existência de um habitat que favorece sua reprodução. "É um ecossistema pouco intervencionado, onde aparentemente não há muita presença humana nem predadores, o que facilita a sobrevivência dos filhotes", disse Díaz.
Fonte:La Discusión
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