Um violento início de semana afetou várias empresas do setor florestal na região de La Araucanía.
Por volta das 22h15 de domingo, o proprietário de uma empresa denunciou aos Carabineiros que desconhecidos realizaram disparos e ingressaram no recinto localizado no quilômetro 3 da rodovia que liga Lautaro a Pillanlelbun.
Posteriormente, foi relatada a queima de quatro veículos: dois caminhões basculantes, uma caminhonete e um carregador frontal, antes que os responsáveis fugissem do local. Durante as diligências, as autoridades encontraram um pano com a legenda: "Liberdade a todos os presos ppm em greve C. Quilleco".
Nesta quarta-feira de madrugada registrou-se um segundo atentado, agora na comuna de Teodoro Schmidt. Por volta das 3h00, desconhecidos ingressaram na fazenda El Budí e destruíram três escavadeiras e um caminhão auto-carregador. Assim como em Lautaro, deixaram um pano com a legenda: "Liberdade para Huenchuñir, Millacheo, Tranamil e a todos os presos políticos mapuche".
Da Associação de Contratistas Florestais (Acoforag) reconhecem que, embora tenha havido uma diminuição dos atos de violência, o problema nunca foi completamente eliminado. Assim afirmou seu gerente René Muñoz, que questionou o plano do executivo de querer dar por terminado o conflito na macrozona sul.
"Há pouco ouvimos o secretário do interior, Víctor Ramos, falar que iam entregar a região com o problema quase solucionado, com uma redução importante dos atos violentos. E isso é assim, há uma redução, mas não há uma eliminação. Isto não acaba", expressou o dirigente sindical.
Para Muñoz, o mais preocupante é que se trata de um conflito que completará 30 anos, e que no caso da Acoforag, vem sendo abordado desde 2014. Ele enfatizou que não existe país florestal no mundo onde os contratistas enfrentem o que vive o setor florestal chileno.
"Sem dúvida que nos preocupa, porque levamos quase 28, 29 anos nisto, e que o Estado não seja capaz de nos solucionar, sem dúvida nos preocupa", indicou.
Muñoz acrescentou que quanto ao uso da força, a inação estatal é um sinal preocupante. "É um mau sinal que não se realizem ações intrusivas, que não se usem, por exemplo, as Forças Armadas, não só para vigiar e percorrer os caminhos, precisamos que ajam de maneira mais intrusiva, de modo que se possam capturar esses terroristas em algum lugar, que todos sabemos onde estão", asseverou.
Por isso confiam que o próximo governo possa entregar uma solução real para os atentados. "Temos fundadas esperanças de que o próximo governo, tal como tem proposto, vai enfrentar isto de uma maneira diferente, e esperamos que isso faça com que esta coisa vá desaparecendo, porque não podemos trabalhar desta maneira", concluiu.
SEGURANÇA PARA INVESTIR
Da Corporação Chilena da Madeira (Corma), condenaram os ataques incendiários dos últimos dias, já que este tipo de fatos não só afeta as empresas, mas principalmente trabalhadores e famílias que dependem dessas tarefas para seu sustento, indicaram.
Assim o manifestou Antonio Soto, presidente da Corma La Araucanía, Los Ríos e Los Lagos, que acrescentou que a violência não pode se transformar em uma forma de prisão, nem muito menos em um mecanismo de expressão política.
"Esperamos que se aja com a máxima serenidade para identificar e sancionar os responsáveis. Como setor florestal, reiteramos nossa disposição ao diálogo e ao desenvolvimento produtivo na região. Por esse caminho é incompatível com a violência", sentenciou Soto.
ATENTADOS INCENDIÁRIOS
Lembremos que o último atentado incendiário ocorreu na madrugada desta quarta-feira na comuna de Teodoro Schmidt, onde foram destruídas 4 máquinas florestais e além disso foi encontrado um pano com a legenda ""Liberdade para Huenchuñir, Millacheo, Tranamil e a todos os presos políticos mapuche".
O ocorrido na noite de domingo em Lautaro, por sua vez, foi reivindicado por membros do grupo radical Libertação Nacional Mapuche (LNM).
Neste último também foram incendiados 4 veículos, dois caminhões basculantes, uma caminhonete e um carregador frontal e ocorreu em uma empresa de áridos localizada na via que liga Lautaro e Pillanlelbun, a qual, segundo foi informado, não contava com guardas noturnos.
Fonte:La Tribuna
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