Nesta quinta-feira, 9 de abril, foi publicado no Diário Oficial da República do Chile o Plano de Recuperação, Conservação e Gestão (Recoge) das rãs-de-Darwin, uma iniciativa que busca proteger essas espécies emblemáticas frente a ameaças como a perda de habitat, doenças e as mudanças climáticas.

O documento foi elaborado pela ONG Ranita de Darwin após um extenso trabalho colaborativo que reuniu mais de 20 instituições públicas e privadas. Seu desenvolvimento estendeu-se por vários anos e conseguiu consolidar uma rota concreta para a proteção dessas espécies únicas.

Nos últimos meses, o plano havia adquirido notoriedade pública após um processo administrativo que incluiu sua apresentação como rascunho em 2024 e sua aprovação em julho de 2025 pelo Conselho de Ministros para a Sustentabilidade e as Mudanças Climáticas. No entanto, em 12 de março de 2026, foi retirado temporariamente da Controladoria-Geral da República quando se encontrava em sua etapa final de tramitação, sendo reingressado seis dias depois.

Com sua publicação oficial, o plano entra em vigor, marcando um marco-chave para a conservação dessas espécies endêmicas do Chile.

O presidente da ONG, Andrés Valenzuela Sánchez, explicou que o instrumento reúne informações essenciais junto com ações concretas para enfrentar a crise que afeta esses anfíbios. "É um documento prático que contém medidas específicas, com prazos de implementação, resultados esperados e responsáveis definidos para cada ação", afirmou.

A implementação do plano estará a cargo de órgãos do Estado como o Ministério do Meio Ambiente e o Serviço Agrícola e Pecuário, além de organizações da sociedade civil, universidades e empresas florestais.

Espécies únicas e em perigo

As rãs-de-Darwin — Rhinoderma rufum e Rhinoderma darwinii — são consideradas espécies evolutivamente únicas e formam parte insubstituível do patrimônio natural mundial. Entre suas características mais surpreendentes destaca-se que o macho incuba os girinos em seu saco vocal, um comportamento sem igual entre as mais de 9 mil espécies de anfíbios conhecidas.

No entanto, sua situação é crítica. A rã-de-Darwin do norte, que habitava entre Zapallar e Concepción, não é vista desde 1981 e é considerada possivelmente extinta. Se confirmado, seria a primeira extinção documentada de um vertebrado nativo do Chile em tempos recentes.

Enquanto isso, a rã-de-Darwin do sul sobrevive em pequenas populações isoladas no Chile e na Argentina, enfrentando ameaças como a destruição da floresta nativa, a quitridiomicose — uma doença infecciosa que afeta os anfíbios — e os efeitos das mudanças climáticas.

Um precedente para a conservação

A implementação deste plano marca um antes e um depois na conservação de anfíbios no país. Trata-se do primeiro Plano Recoge focado neste grupo, estabelecendo um precedente institucional para a proteção de espécies altamente vulneráveis e, muitas vezes, invisibilizadas.

Além disso, sua implementação está estreitamente ligada à proteção da floresta nativa, um ecossistema-chave que fornece serviços essenciais como ar limpo, água e regulação climática.

Desta forma, a iniciativa não apenas representa um avanço na proteção da biodiversidade, mas também uma contribuição para o bem-estar das pessoas e para o desenvolvimento sustentável do Chile.

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