“O Governo está mais preocupado em diminuir a presença militar por uma questão de custos, mais do que pela própria segurança, já que economizaria os mais de US$ 20 milhões diários que custa o desdobramento de militares na zona. Nestes tempos de economia e corte financeiro, espero que essa não seja a desculpa”, expressou a ex-governadora de Malleco e deputada do PPD pela Araucanía, Andrea Parra, a respeito dos sinais do Governo de desescalar o estado de exceção na macrozona sul.
Foi o próprio ministro da Defesa, Fernando Barros, quem, ao solicitar a renovação da medida perante a Câmara dos Deputados, expôs que “há a intenção de ir diminuindo a presença (militar), de tomar ações que permitam voltar à normalidade, fortalecendo o Carabineros e a PDI”.
A parlamentária oficiou o Ministério do Interior, através da presidência de sua corporação, para que o Executivo entregue informações “sobre o eventual plano que trabalha para modificar o estado de exceção constitucional de zona de emergência na macrozona sul, informação que tem transcendido na imprensa, mas que concretamente se desconhecem maiores antecedentes”.
Parra advertiu que “temos conhecido a intenção do Governo de desescalar o estado de exceção mas, lamentavelmente, até a data não recebemos nenhuma informação. Solicitamos ao ministro do Interior (Claudio Alvarado), e também ao delegado presidencial regional (Francisco Ljubetic), sem obter respostas, e portanto, esperamos que via ofício nos sejam enviados detalhes
do plano que o Governo pretende implementar nas próximas semanas”, enfatizou.
Recalcou que “esperamos que através deste ofício se entregue uma informação formal e institucional. Quais reformas em matéria de segurança estão contempladas para a Araucanía? Quais medidas e estratégias diferentes das atuais inclui este plano? Como abordar a ausência de militares nos territórios? São perguntas muito válidas que a região faz e que merecemos conhecer com antecedência”.
Na mesma direção, disse que “não há desescalada possível sem um plano de ação sério e robusto”.
Vítimas e sindicatos afetados pela violência têm expressado seu desacordo com a retirada da presença militar enquanto não se desarticule a dezena de organizações violentistas que operam na zona sul.
“O risco de ataques segue vigente”
Por sua vez, o vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e presidente da Sociedade Agrícola de Biobío (Socabío), José Miguel Stegmeier, expôs que “não estamos de acordo em que o estado de exceção seja levantado e nem sequer que seja anunciado”.
Argumentou que “por um lado, este ano ainda continuamos tendo atentados em Biobío e La Araucanía; e, por outro, as pessoas que cometem estes atos terroristas andam livres. Portanto, o risco de ataques segue vigente”.
Sobre os custos que implica o estado de exceção, Stegmeier recalcou que “aqui a segurança é o primeiro e o que mais propôs este Governo foi que seu primeiro objetivo era lograr maior resguardo”.
Expressou que “nos alegramos de que se tenha dado um passo atrás em reduzir o orçamento do Ministério da Segurança Pública” e enfatizou que “no caso da macrozona sul, levamos muitos anos de terror e perdas e relaxar isto seria fatal”.
Agregou que “o que se poderia economizar por um lado vai significar maior sacrifício para os privados, com queima de bosques, veículos e maquinarias”.
Consultados sobre um eventual desescalamento do estado de exceção na macrozona sul, desde Comunicações da Delegação Regional Presidencial de La Araucanía responderam que não existem anúncios a respeito. Da mesma maneira, recalcou que esse tipo de medidas se devem avaliar e que uma decisão como essa, ou outras, tem que ser adotada considerando uma série de antecedentes.
Fonte:El Mercurio
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