Desde a chegada das novas autoridades ao Executivo, a situação da Macrozona Sul tem sido um tema no interior do governo do Presidente José Antonio Kast. Em menos de um mês, tanto o Mandatário quanto o ministro da Defesa, Fernando Barros, visitaram duas vezes os locais sob estado de exceção, principalmente para se reunir com as autoridades militares na zona que já completa 1.416 dias sob esta medida constitucional.

Mas a situação da Macrozona Sul também tem sido um dos temas centrais tratados durante o Conselho de Segurança, instância criada pela administração de Kast. Nessas reuniões, segundo fontes de La Tercera, já foi levantada e analisada a possibilidade de o governo aplicar uma "desescalada" do estado de exceção, até chegar ao término da medida.

Esta desescalada ou possibilidade de acabar com o desdobramento militar no sul do país é algo que já foi levantado pelo próprio ministro Barros. Primeiro o fez perante o Congresso durante a discussão da renovação da medida constitucional e também em diversas entrevistas.

"Como se sabe, há a intenção de ir diminuindo a presença, de ir tomando ações que permitam voltar à normalidade, fortalecendo o que é a polícia, tanto Carabineiros quanto a PDI, de maneira que estas possam levar normalmente o controle da ordem pública. De maneira que, em definitivo, possa ser retomada uma situação de normalidade", disse na Câmara o ministro da Defesa, que tem acompanhado muito de perto a situação.

Em conversa com a Rádio Duna, e questionado sobre se a medida era sustentável, ele afirmou: "Gostaríamos que não. Não é que não fossem sustentáveis, mas sim que não fossem necessárias. As Forças Armadas estão nas zonas do incêndio, estão presentes e já levam um bom tempo, e à medida que se as retira, imediatamente chega a queixa cidadã de que dão uma sensação de segurança e confiança".

As razões

Quem conhece as conversas que têm sido levantadas no interior do governo, respeito da zona sul, afirma que uma das principais razões pelas quais se está considerando a possibilidade de reduzir o estado de exceção é pela atual realidade das regiões do Biobío e La Araucanía.

As condições na zona agora são melhores que o cenário que existia, por exemplo, em 2021, o que permitiria reduzir a medida. Além de conseguir a detenção de uma série de líderes de organizações criminosas que operavam na zona, também se conseguiu reduzir os atos de violência. Sem ir mais longe, segundo números dos Carabineiros expostos pelo Ministério do Interior perante o Congresso, durante os últimos cinco anos os atos de violência rural diminuíram em 80%.

Junto com isso, também foi levantado no interior do Executivo que uma das razões para retroceder na medida constitucional é que "se tem que voltar à normalidade" na zona, apesar de existir uma avaliação muito positiva do desdobramento das Forças Armadas (FF.AA.) na Macrozona Sul.

Mas além disso também existe uma análise que a Defesa faz respeito das instituições que operam na zona. Isso explica que outro dos fatores que poderiam influenciar na desescalada é que os Carabineiros agora estão mais capacitados e dotados de ferramentas para assumir a segurança da zona sem a colaboração das instituições militares.

Também, em matéria militar, fontes da Defesa afirmam que outro fator é que há uma preocupação com o desgaste dos funcionários do Exército e fuzileiros navais que estão desdobrados na zona, o que poderia começar a se traduzir num alto número de retiros voluntários por parte dos militares ou num aumento de licenças médicas.

Na Duna, Barros abordou isso afirmando que este tipo de desdobramentos "supõem longos turnos, é um desgaste, mas o Presidente Kast, uma das primeiras coisas que fez foi ir se reunir com as Forças Armadas".

Apesar de o ministro destacar "uma tropa muito motivada" na zona, "claramente há uma esperança de ir diminuindo a presença das FF.AA., liberando-as disso. Mas não nos esqueçamos que cada tempo ou meses, neste caso já quatro anos dedicado a isso, significa sacrificar em alguma medida a capacitação, o treinamento das forças próprias".

O possível plano

Embora todas as decisões - destacam fontes do governo consultadas por este meio - serão tomadas considerando uma análise completa e realista da situação na zona sul, qualquer decisão poderia ser paulatina e teria abril como mês chave.

Nesse sentido, entre as alternativas iniciais que são consideradas para aplicar uma desescalada no estado de exceção na Macrozona Sul está começar a levantar a medida em algumas províncias. Ou seja, começar a reduzir as províncias sob dito cenário até chegar a um levantamento total.

No entanto, outra possibilidade que existe, se as condições permitirem, seria que ao chegar no final de abril, tempo no qual se deve renovar a medida no Congresso, o governo simplesmente não a renove e ponha fim à medida constitucional que se aplica desde 2022.

Fonte:La Tercera



Compartilhar: