Por Camilo Cornejo Orellana, engenheiro agrônomo e acadêmico de Engenharia Comercial da Universidad Andrés Bello
A mudança climática veio para ficar. O aumento das temperaturas, a escassez hídrica e o fator humano configuraram uma "tempestade perfeita" que a cada verão aumenta o risco de incêndios florestais no Chile. Segundo estatísticas da Conaf, ao comparar as temporadas entre 2005 e 2013/2014 com o período 2014/2015 a 2024, a ocorrência média de incêndios aumentou 21%, enquanto a superfície afetada cresceu 194%.
Os incêndios de maior magnitude também se tornaram mais frequentes. Aqueles que superam as 200 hectares passaram de representar um aumento de 96% no período anterior para 260% atualmente, o que evidencia a magnitude do problema e seu impacto tanto no setor público quanto no privado.
Embora nos últimos anos tenham sido fortalecidos os sistemas de prevenção, gestão de desastres e resposta a emergências, isso não conseguiu reduzir o impacto social, ambiental e econômico dessas catástrofes. Um exemplo claro foi o mega-incêndio de 2017, que deixou cerca de 6 mil afetados e consumiu 467 mil hectares de floresta, com um custo socioambiental estimado em US$ 26,5 milhões.
A isso somam-se tragédias humanas que marcaram o país. O incêndio de Viña del Mar em fevereiro de 2024 deixou 138 pessoas falecidas, enquanto em janeiro de 2026 os incêndios entre Ñuble e Biobío provocaram 21 vítimas fatais e afetaram cerca de 54 mil hectares. Esses dados refletem um risco crescente que não afeta apenas a economia, mas também o meio ambiente e a segurança das comunidades.
A situação é especialmente complexa para pequenos e médios produtores florestais, que sofreram perdas importantes. Nos incêndios de 2017 e 2023, esse grupo foi afetado em mais de 100 mil hectares, enfrentando ainda apoios tardios e políticas públicas majoritariamente reativas. Em muitos casos, os benefícios não priorizaram o setor florestal, o que deteriorou a confiança dos produtores frente a essas emergências.
No Chile existe uma ferramenta de apoio: o subsídio estatal aos seguros florestais, que cobre entre 40% e 69% do custo do prêmio, além de uma contribuição fixa de 1 UF por apólice, com um limite de 80 UF por produtor e temporada. Este mecanismo busca reduzir as perdas econômicas em caso de incêndio.
No entanto, seu acesso não é simples. Muitos pequenos e médios produtores não cumprem os requisitos ou não têm capacidade econômica para contratar esses seguros. A isso soma-se que, devido ao aumento dos incêndios, os prêmios subiram até 200%, e algumas seguradoras tornaram as condições mais rigorosas ou até recusaram segurar plantações.
Diante deste cenário, vários produtores florestais avaliam abandonar a atividade após um incêndio, devido ao alto risco e aos crescentes custos de continuar produzindo. Por isso, coloca-se a necessidade de políticas públicas mais diretas e focalizadas que apoiem a recuperação e proteção das PMEs florestais.
Caso contrário, advertem, poderia se intensificar a saída de produtores do setor, com consequências negativas para a economia regional, o emprego rural e a renda de milhares de famílias.
A coluna naRevista Acoforag
Comentarios (0)
No hay comentarios aún. ¡Sé el primero en comentar!
Deja un comentario