Exatamente um ano após o atentado incendiário que afetou a Usina Hidrelétrica Rucalhue, o caso permanece em investigação sem resultados públicos informados, em um cenário onde o ataque provocou impactos na execução do projeto e obrigou a reforçar as condições de segurança na área.
O fato, registrado em abril de 2025 na comuna de Quilaco, na província de Biobío, em um setor rural próximo ao limite com Santa Bárbara, gerou consequências tanto pela magnitude dos danos quanto pelas implicações operacionais para a iniciativa energética.
O ataque ocorreu durante a madrugada de domingo, 20 de abril de 2025, quando um grupo de indivíduos armados ingressou no canteiro de obras, intimidou os trabalhadores presentes e procedeu a incendiar 45 caminhões e cinco máquinas destinadas à construção da usina, de acordo com o informado pelo chefe da zona Biobío dos Carabineiros, general Renzo Miccono.
O fato deixou, ainda, dois guardas feridos e foi classificado como um dos atentados de maior magnitude registrados na região de Biobío, e no Chile.
Após o ocorrido, o Ministério Público instruiu diligências à Polícia de Investigações (PDI), dando início a uma investigação penal para esclarecer os fatos e encontrar os responsáveis.
Paralelamente, o Ministério da Segurança Pública apresentou uma queixa-crime perante o Juizado de Garantia de Santa Bárbara, invocando a Lei Antiterrorista, em atenção à forma de execução do ataque e seu impacto.
IMPACTO, SEGURANÇA E POSIÇÃO DA EMPRESA FRENTE À INVESTIGAÇÃO
Em resposta a um questionário do Diário La Tribuna, a empresa responsável pela Usina Hidrelétrica Rucalhue abordou as medidas adotadas após o atentado — que classificaram como "o maior ataque incendiário registrado na região de Biobío" — junto com os efeitos que gerou no desenvolvimento da iniciativa.
Nesse sentido, indicaram que se mantém uma guarda policial permanente na área onde se desenvolvem as obras, implementada após as primeiras ações realizadas após o ataque.
"Após o atentado e depois que o Ministério Público realizou todas as diligências devidas na etapa inicial no terreno, a autoridade definiu entregar a guarda policial permanente decretada pelo Ministério Público. Essa medida se manteve até a data e significou um apoio importante do Estado", afirmaram da Usina Hidrelétrica Rucalhue.
Ao se referir às consequências do fato, a empresa apontou efeitos concretos no desenvolvimento da construção, associados principalmente à alteração do ritmo das obras.
"O principal impacto que a empresa teve em relação ao atentado foi o atraso das obras em sua etapa de construção, assim como a implementação de medidas de segurança adicionais na área do canteiro de obras", afirmaram.
Junto com isso, indicaram que foram adotadas diferentes ações destinadas a fortalecer as condições de proteção no local, incorporando equipamentos e ajustes operacionais orientados a reduzir riscos.
"Entre essas medidas, estão - por exemplo - aumentar o efetivo de guardas, reforçar os acessos, a melhoria de equipamentos de vigilância e comunicação, um sistema antidrones, instalação de maior infraestrutura de iluminação e o fortalecimento dos protocolos de acesso e evacuação com um investimento da ordem de US$ 1.000.000", explicaram.
Em relação ao andamento da causa, a empresa indicou que manteve participação nas ações judiciais derivadas do atentado, em coordenação com as instituições responsáveis.
"Paralelamente, a empresa apresentou uma queixa pelo ocorrido e durante este período colaboramos com a investigação, confiando nas instituições responsáveis por ela", afirmaram.
Nesse contexto, a empresa reiterou sua posição frente ao processo investigativo, destacando sua expectativa em relação aos resultados que possam derivar das diligências em curso.
"A Usina Hidrelétrica Rucalhue é um projeto de interesse nacional, chave para a transição energética do país, e com essa convicção a empresa confia na institucionalidade chilena e nos resultados que a investigação possa obter", indicaram.
GOVERNO DEFENDE AVANÇOS E DESCARTA ABANDONO
Do Governo, o delegado presidencial provincial de Biobío, Juan Pablo Mellado, abordou o estado da investigação e respondeu a questionamentos sobre um eventual abandono do Estado no acompanhamento do caso.
Nesse contexto, a autoridade enfatizou a existência de um trabalho permanente em matéria de segurança e coordenação com as polícias.
"Em relação ao atentado em Rucalhue, aqui não há espaço para relativizar nem para instalar a ideia de abandono do Estado", sustentou.
Juan Pablo Mellado.
O delegado acrescentou que a investigação se mantém em curso sob reserva, no âmbito de diligências que continuam sendo desenvolvidas.
"Esta é uma investigação em curso liderada pelo Ministério Público junto à Polícia de Investigações que se mantém sob reserva e essa reserva não é casual, responde a diligências que seguem avançando e que requerem responsabilidade", indicou.
Assim mesmo, abordou as críticas em torno da falta de resultados visíveis, colocando a necessidade de resguardar o trabalho investigativo.
"Exigir resultados é legítimo, mas colocar em dúvida o trabalho investigativo sem antecedentes concretos não contribui", afirmou.
Nesse sentido, detalhou que o caso é revisado de maneira periódica em instâncias de coordenação. "Este tema está sobre a mesa todas as semanas nas reuniões de segurança, tanto a nível regional como provincial. Aqui não há improvisação nem ausência, há trabalho sistemático com as polícias e equipes especializadas", afirmou.
Finalmente, reiterou a posição do Executivo em relação à perseguição dos responsáveis. "Quero ser claro, não vamos permitir que um fato desta magnitude fique impune", enfatizou.
A autoridade também informou que se encontram coordenando ações com a empresa afetada. "Já temos agendada uma reunião com a empresa e seus representantes, porque não só estamos acompanhando a investigação, também estamos presentes e dando a cara e fortalecendo a coordenação em segurança", concluiu.
INVESTIGAÇÃO SEGUE EM CURSO
Consultada pelo Diário La Tribuna, a Promotoria Regional de Biobío confirmou que a causa se mantém vigente e em desenvolvimento.
Do organismo indicaram que as diligências continuam sendo executadas pela Polícia de Investigações, no âmbito de uma investigação que segue ativa.
De acordo com a informação entregue, foram realizadas múltiplas perícias e foram tomadas diversas declarações, mantendo-se em curso as investigações para esclarecer os fatos.
Um ano após o atentado, a investigação permanece aberta, sem que tenham sido informados publicamente resultados sobre responsáveis na causa.
Continuidade do projeto
A empresa indicou que a proteção implementada após o atentado permitiu retomar as obras em condições de maior segurança para os trabalhadores.
"Esta ação permitiu à empresa concentrar-se em retomar os trabalhos e entregar aos trabalhadores as condições de segurança que exigia uma situação assim. Hoje, o projeto se encontra avançando em sua construção e espera finalizar a fase de construção projetada até 2028", acrescentaram.
Quanto à situação atual, detalharam que a iniciativa continuou seu desenvolvimento e mantém geração de emprego na área.
"Até a data, o projeto está gerando emprego para um total de 659 pessoas, das quais 55% correspondem a mão de obra local, cumprindo com o compromisso estipulado na RCA da contratação de 30% de trabalhadores provenientes de comunidades locais", indicaram.
Finalmente, a empresa reiterou sua posição em relação ao futuro da iniciativa e sua continuidade no tempo.
"A empresa mantém a confiança e convicção de que a Usina é um projeto importante e com projeção futura", encerraram.
Medidas de proteção após o atentado
Aumento do efetivo de guardas
Reforço de acessos
Equipamento de vigilância e comunicação
Sistema antidrones
Maior iluminação no canteiro de obras
Protocolos de acesso e evacuação
Investimento aproximado de US$ 1.000.000
Estado da investigação
Investigação atualmente vigente
Diligências e perícias em curso, a cargo da Polícia de Investigações (PDI)
Foram realizadas múltiplas ações, incluindo tomada de declarações e perícias
Investigação em desenvolvimento, sem resultados públicos informados
Fonte:La Tribuna
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