Três atentados contra infraestrutura pública, que causaram danos parciais ou efeitos menores aos que buscam produzir quem os cometeu, foram perpetrados durante abril na macrozona sul, segundo revela o "Relatório de Violência" que elabora a cada mês a Multigremial de La Araucanía.
O estudo detalha que os episódios afetaram uma torre de alta tensão (9 de abril), no fundo San Elías, na comuna de Victoria (La Araucanía); um comboio com madeira (22 de abril) que se deslocava pelo setor de Bannen, na comuna de Lota (Biobío); e uma antena de telecomunicações do Parque Nacional Tolhuaca (30 de abril), em Curacautín (La Araucanía).
Segundo o documento, "o deslocamento das ações violentas para a infraestrutura pública modifica a escala do impacto territorial e apresenta novos desafios para a resposta do Estado, tanto no âmbito legal quanto judicial".
Entre outras conclusões, também sustenta que "abril marca essa mudança qualitativa na violência, já que, além de ataques armados e atentados incendiários, aparecem ações contra infraestrutura pública e bens estratégicos, o que faz retomar o debate da necessidade de proteger a infraestrutura crítica".
Descreve, além disso, que a extensão dos fatos de violência "se ampliou desde os ataques concentrados em indústrias produtivas de impacto local para ações com um efeito territorial amplo que atinge infraestrutura, conectividade e serviços estratégicos".
A título de exemplo, menciona-se que se não fosse pela detonação parcial de um elemento explosivo (contra uma torre de alta tensão na província de Malleco), o efeito poderia ter sido massivo, interrompendo o fornecimento elétrico entre as regiões "de Biobío e Los Lagos".
Atentados em abril, de 2021 a 2026
Ao comparar de 2021 a 2026 os fatos de violência de maior conotação perpetrados durante cada mês de abril na macrozona sul, o estudo reflete uma tendência à diminuição desses episódios, por efeito do estado de exceção constitucional de zona de emergência que hoje completa quatro anos de aplicação ininterrupta nas 32 comunas de La Araucanía e em 21 de Biobío.
O único aumento foi registrado em 2022, com 56 denúncias por atentados incendiários e ataques de grupos armados, contra 33 do ano anterior. Posteriormente, os números foram os seguintes: 2023, 25; 2024, oito; 2025, quatro; e 2026, dois.
"Aperfeiçoar o estado de exceção"
Patricio Santibáñez, titular da Multigremial de La Araucanía, propõe que diante do avanço da violência para a infraestrutura pública, está pendente uma declaração do Governo "que tenha como objetivo erradicar o terrorismo, em todas as suas variantes". Reforça que isso passa "por aperfeiçoar o estado de exceção" e incluir entre os instrumentos de ação do Estado "uma lei de infraestrutura pública, para que as Forças Armadas possam contribuir em maior medida para a desarticulação desses grupos".
Nesse sentido, o representante dos setores produtivos da zona faz notar que "hoje os militares não podem fazer controles nos veículos, embora estes possam gerar suspeitas, o que ajudaria a deter pessoas envolvidas em crimes".
Santibáñez sustenta que "outro elemento que se deve melhorar é a ação que se realiza de maneira imediata quando ocorre um atentado; por exemplo, fazer fechamentos de setores que permitam lograr detenções, como ocorreu quando se deteve em flagrante cinco integrantes da Coordenadora Arauco Malleco (CAM), entre eles um filho de Héctor Llaitul, que hoje estão em um julgamento oral".
Antonio Soto, presidente da Corporação Chilena da Madeira (Corma) em La Araucanía, Los Ríos e Los Lagos, expõe que o risco de haver ataques contra a infraestrutura pública e instalações críticas "sempre está latente" e os episódios reportados durante abril "assim o confirmam". Reforça que "isso o temos dito não só nós como setor florestal, mas também os agricultores e todos os grêmios".
Adverte que em matéria de segurança, "estas últimas semanas, na macrozona sul, têm sido desastrosas" e defende "um maior trabalho de inteligência e um trabalho mais direto com a Chefia da Defesa Nacional na zona".
Soto enfatiza que "enquanto não se garantir uma segurança plena de que podemos desenvolver nossas operações florestais, não haverá novos investimentos".
Fonte:El Mercurio
Comentarios (0)
No hay comentarios aún. ¡Sé el primero en comentar!
Deja un comentario