A redução da última década incluiu a perda de 16 milhões de hectares de florestas primárias, aquelas sem pegada evidente da atividade humana e que são de enorme importância para a biodiversidade, assinala o Relatório sobre os Objetivos Florestais Mundiais 2026, tornado público esta segunda-feira durante o Fórum das Nações Unidas sobre as Florestas que decorre em Nova Iorque.
O estudo, que avalia a implementação dos seis Objetivos Florestais Mundiais e de 26 metas associadas, aponta três mensagens-chave: o progresso é evidente mas insuficiente; as florestas são fundamentais para o desenvolvimento sustentável; e a experiência demonstra que é possível avançar mediante a inovação, o investimento e a cooperação.
As análises realizadas falam de sete metas já cumpridas, 17 alcançadas parcialmente e duas claramente fora do prazo, que são o aumento da superfície florestal (o objetivo é 3%) e a erradicação da pobreza extrema entre as pessoas que dependem das florestas, aspeto em que preocupa especialmente a África subsaariana.
A agricultura é a principal fonte da desflorestação
Elaborado com os relatórios voluntários apresentados por 48 países (entre eles, Espanha) e com dados de organismos internacionais como a FAO, os avanços mais positivos que o documento menciona referem-se a âmbitos como as florestas protegidas, a gestão florestal sustentável e a cooperação internacional.
A superfície de floresta protegida cresceu até alcançar cerca de 20%, embora o ritmo de expansão se tenha reduzido de uma média de 10 milhões de hectares por ano em 2000-2015 para 4 milhões de hectares em 2015-2025.
O relatório identifica "desafios persistentes" como a contínua perda e degradação das florestas, as pressões relacionadas com o clima e as deficiências de financiamento.
Estima-se que o financiamento mundial destinado à gestão florestal sustentável, 84 mil milhões de dólares segundo dados de 2023, "continua muito abaixo do nível necessário de 300 mil milhões de dólares anuais para 2030".
Cerca de 90% do financiamento atual provém de fundos públicos nacionais e menos de 4% de ajudas ao desenvolvimento. A participação do setor privado é limitada, sublinha o documento.
Recomendações
A Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre as Florestas propõe entre as áreas prioritárias de ação travar a desflorestação e reverter a perda de florestas, favorecer o acesso aos mercados e à capacitação técnica das pessoas que dependem da floresta para viver, fechar o défice de financiamento para a gestão florestal sustentável, fortalecer a governança florestal e melhorar as parcerias intersetoriais.
Também recomenda reforçar a luta contra a exploração madeireira ilegal e o comércio associado.
O relatório recolhe diferentes exemplos de boas práticas, como o aumento da superfície florestal sujeita a planos de gestão sustentável a longo prazo no Brasil, o que permitiu produzir mais de 2,15 milhões de metros cúbicos de madeira com origem garantida e rastreabilidade total; ou a criação em 2021 na China dos seus primeiros cinco parques nacionais, que somam 230.000 km2.
As florestas cobrem 32% da superfície terrestre, cerca de 4.140 milhões de hectares. Cinco países reúnem 54% dessas florestas: Rússia (20%), Brasil (12%), Canadá (9%), Estados Unidos (7%) e China (5%).
A massa florestal do planeta armazena 172 toneladas de carbono por hectare e alberga 80% das espécies de anfíbios, 75% das de aves e 68% das de mamíferos, segundo dados da ONU.
Fonte:Cooperativa
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