Três anos após seu lançamento, o Campus Natureza UdeC marcou uma nova etapa em seu desenvolvimento com um sinal institucional de alto valor: a nova Reitoria da Universidade de Concepción reafirmou in loco o compromisso da Instituição de Ensino com a proteção da biodiversidade e o bem-estar humano. A cerimônia foi realizada na área de restauração do projeto, onde um plantio simbólico permitiu destacar o desafio de recuperar ecossistemas nativos degradados e projetar este território universitário como um legado para as futuras gerações.

A atividade reuniu autoridades universitárias, membros da equipe técnica, representantes da comunidade UdeC e convidados ligados ao trabalho de conservação, sustentabilidade e vinculação territorial. In loco, a cerimônia buscou valorizar não apenas os avanços do projeto, mas também sua projeção institucional.

O marco teve como centro um plantio simbólico na zona de restauração ecológica, concebido como um sinal concreto do compromisso universitário com a recuperação da paisagem.

A reitora Jaqueline Sepúlveda Carreño manifestou que a comemoração destes três anos não é apenas uma cerimônia simbólica, mas que "marca um novo começo. E por que este começo é tão importante? Porque, justamente, está alinhado ao que é o novo programa ou projeto da reitoria, onde se busca avançar de um conceito de sustentabilidade para algo muito mais holístico".

Um sinal vindo do território

Durante a jornada, o diretor do Campus Natureza UdeC, Cristian Echeverría Leal, destacou que a comemoração permite olhar o que foi avançado, mas também abrir uma nova etapa de trabalho para o projeto.

"Campus Natureza é uma decisão estratégica de longo prazo da Universidade de Concepción. Nestes três anos, construímos uma base científica, técnica e institucional para conservar, restaurar e reconectar as pessoas com a natureza. Hoje reafirmamos um princípio fundamental: a biodiversidade e o bem-estar humano não são dimensões separadas, mas parte de uma mesma responsabilidade", afirmou.

O projeto teve seu lançamento oficial em 26 de maio de 2023 e se estrutura em torno de cinco linhas de ação: Conservação In Situ, Conservação Ex Situ, Restauração Ecológica, Educação Ambiental Biocultural e Saúde Integral. Sob essa perspectiva, busca integrar pesquisa, formação, vinculação com o meio e ação territorial em um mesmo espaço universitário.

Echeverría ressaltou que a restauração ecológica exige um olhar sustentado ao longo do tempo, especialmente em territórios que foram transformados durante séculos por diferentes usos humanos.

"Restaurar a natureza não é apenas plantar árvores. É ativar um processo ecológico, social e institucional que requer planejamento, monitoramento e compromisso permanente. O que fazemos hoje tem um valor simbólico, mas também expressa uma convicção profunda: a Universidade coloca seu conhecimento, sua capacidade formadora e seu território a serviço da regeneração dos ecossistemas", acrescentou.

Restaurar, educar e conectar

Após as palavras de boas-vindas, autoridades e convidados participaram do plantio simbólico junto a representantes da comunidade. Em seguida, os participantes se organizaram em grupos guiados por monitores do Campus Natureza para se juntar ao plantio de espécies nativas em setores definidos pela equipe técnica.

A atividade permitiu destacar um dos principais desafios do projeto: avançar na restauração de ecossistemas nativos degradados ou desaparecidos da paisagem local há séculos, transformando terrenos universitários em um laboratório vivo para a conservação, a educação ambiental e a pesquisa aplicada.

"Campus Natureza nos convida a olhar a paisagem com uma perspectiva de longo prazo. Não se trata apenas de recuperar uma cobertura vegetal, mas de reconstruir relações: entre biodiversidade e cidade, entre ciência e comunidade, e entre a Universidade e o território do qual faz parte", sustentou Echeverría.

Durante o percurso in loco, a equipe técnica explicou as etapas do processo de restauração, a seleção de espécies, os cuidados iniciais e a importância do monitoramento posterior. Também foi destacado que essas ações fazem parte de um planejamento orientado a recuperar a funcionalidade ecológica e fortalecer a biodiversidade nativa.

Da mesma forma, a reitora afirmou: "nossa universidade em específico, e imagino que a grande maioria delas, tem um forte compromisso de vocação pública. Então, quando geramos bens públicos, como estes, por exemplo, como também é a mobilidade social, estamos justamente apontando para o fortalecimento da vocação pública de nossa universidade, porque não apenas nos preocupamos com os processos formativos, de gerar pesquisa que tenha impacto nas comunidades e nos territórios, mas também temos um compromisso com um dos maiores problemas que afetam o mundo, que é a tripla crise, a crise climática, a ambiental e a da biodiversidade. E este projeto aponta justamente para agir contra isso, contra a grande ameaça que o mundo tem hoje".

Bem-estar humano e vínculo com a natureza

A subdiretora do Campus Natureza UdeC, Andrea Fernández Covarrubias, destacou que uma das particularidades do projeto é compreender a conservação a partir de um olhar integrador, onde a biodiversidade, a saúde, a educação e a qualidade de vida fazem parte de uma mesma conversa.

"Campus Natureza não busca apenas conservar e restaurar ecossistemas, mas também gerar experiências que permitam reconstruir o vínculo entre as pessoas e a natureza a partir da aprendizagem, do cuidado e do bem-estar integral. Em um contexto urbano como o de Concepción, contar com um espaço dessas características dentro da universidade representa uma oportunidade estratégica para aproximar a comunidade dos ecossistemas, promovendo educação ambiental, saúde e novas formas de habitar o território", afirmou.

Nessa linha, Fernández explicou que o projeto avançou em iniciativas de educação ambiental biocultural, saúde integral e atividades de vinculação com diferentes grupos da comunidade interna e externa.

"Quando falamos de bem-estar humano, não nos referimos apenas ao contato com ambientes naturais, mas a compreender a interdependência entre a saúde das pessoas e a saúde dos ecossistemas. Campus Natureza busca visibilizar essa relação, promovendo uma cultura de corresponsabilidade e cuidado do território", acrescentou.

Um espaço universitário vivo

Três anos após sua implementação, o Campus Natureza UdeC se projeta como um espaço universitário vivo, onde convergem conservação, restauração ecológica, educação ambiental biocultural, saúde integral, pesquisa interdisciplinar e participação comunitária.

Para Andrea Fernández, este aniversário também permite valorizar o papel formativo e comunitário do projeto. "Campus Natureza representa uma oportunidade para repensar o papel da universidade em relação à cidade e ao território. É mais do que um espaço de conservação, projeta-se como um laboratório vivo onde a pesquisa, a formação e a vinculação com o meio se integram diretamente com os ecossistemas e as comunidades. Aqui, o território se transforma em sala de aula aberta, em espaço de encontro e aprendizado coletivo", afirmou.

A comemoração encerrou com um convite para continuar projetando este trabalho a partir de um olhar colaborativo, científico e territorial, consolidando o Campus Natureza como uma iniciativa estratégica da Universidade de Concepción e como um legado biocultural para as futuras gerações.

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