Mais de 35 mil hectares de araucárias perdidos em 24 anos devido a incêndios, intervenção humana e mudanças climáticas são registrados em La Araucanía. Especialistas alertam que o retrocesso pode continuar se as ameaças sobre a espécie persistirem.
A superfície de araucárias no sul do Chile diminuiu de forma sustentada desde 2002, com uma perda de 36 mil hectares, segundo análise do Departamento de Ciências Agronômicas e Recursos Naturais da Universidade de La Frontera, liderada por Rubén Carrillo e apoiada pela Fundação Sendero de Chile.
O cálculo considera registros de grandes incêndios florestais e eventos cumulativos em zonas protegidas, que afetam uma espécie cuja distribuição total não ultrapassa 250 mil hectares.
Entre os principais sinistros estão os incêndios de 2002 na Reserva Nacional Malleco, que devastaram cerca de 20 mil hectares, e os de 2015 na Reserva Nacional China Muerta, com mais de 6.600 hectares de araucária danificados. A esses se somam incêndios recentes em setores próximos ao Parque Nacional Conguillío.
Rubén Carrillo indicou que, embora a espécie esteja protegida como monumento natural — o que proíbe seu corte —, persistem cortes ilegais e intervenções humanas.
Junto a isso, a pecuária, que consome suas sementes, e a coleta massiva de pinhões contribuem para limitar sua regeneração natural.
A mudança climática agrava o cenário. O aumento das temperaturas, a prolongação das secas e a menor disponibilidade de água nos solos dificultam o desenvolvimento da espécie.
Carrillo acrescentou que a situação é especialmente crítica em setores como o Parque Nacional Nahuelbuta, onde as populações são pequenas e fragmentadas, o que reduz sua regeneração e eleva o risco para sua sobrevivência.
Atualmente, a araucária é classificada como vulnerável na cordilheira dos Andes e em perigo na cordilheira da costa. Se essas condições se mantiverem, a redução de sua superfície continuará nos próximos anos, alertou o especialista.
Fonte:BiobioChile
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