A Região do Biobío começou 2026 enfrentando um cenário trabalhista complexo. Segundo os antecedentes fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a taxa de desocupação atingiu 10% durante o trimestre móvel janeiro-março, posicionando-se como a mais alta do país e evidenciando as dificuldades que ainda enfrenta o mercado de trabalho regional.

Por trás deste número existe um paradoxo: o emprego efetivamente aumentou em relação ao mesmo período do ano anterior. Mais de 11 mil pessoas se incorporaram ao trabalho durante os últimos doze meses, refletindo uma expansão de 1,6% no número de ocupados. No entanto, a entrada de novos trabalhadores na força de trabalho foi ainda maior, gerando um aumento no número de desempregados.

Em termos absolutos, mais de 80 mil pessoas estão atualmente procurando emprego na região. O crescimento da força de trabalho alcançou 2,8%, enquanto a quantidade de pessoas desocupadas aumentou 14,3% em comparação com o ano passado.

Mulheres impulsionam a criação de emprego

Um dos fenômenos mais relevantes do período foi o protagonismo feminino na geração de novos postos de trabalho. Enquanto a ocupação masculina mostrou uma leve queda, o emprego entre as mulheres cresceu 5,4%, impulsionando boa parte do aumento regional.

Além disso, a participação laboral feminina seguiu avançando e chegou a 48,8%, um sinal de que mais mulheres estão entrando no mercado de trabalho. No entanto, este processo também foi acompanhado por um aumento na taxa de desemprego feminina, que alcançou 11,3%.

O comportamento reflete uma dinâmica habitual em períodos de recuperação econômica: mais pessoas decidem procurar trabalho atraídas por melhores expectativas, mas o mercado nem sempre consegue absorver essa demanda com a mesma rapidez.

Serviços profissionais e indústria lideram o crescimento

As atividades profissionais, científicas e técnicas foram o principal motor de criação de emprego durante o trimestre, seguidas pela indústria manufatureira.

Por categorias ocupacionais, destacaram-se especialmente os trabalhadores por conta própria e o pessoal de serviço doméstico, segmentos que registraram importantes incrementos em comparação com o ano anterior.

Da mesma forma, os profissionais, cientistas e intelectuais figuraram entre os grupos ocupacionais com melhor desempenho, junto com as ocupações elementares.

Em contraste, setores como saúde e mineração experimentaram retrocessos em seus níveis de ocupação, enquanto os operadores de máquinas e montadores registraram uma das maiores diminuições entre os grupos ocupacionais.

Informalidade continua em aumento

Outro elemento que preocupa os especialistas é o avanço da informalidade laboral. Durante o trimestre, a taxa de ocupação informal alcançou 27%, aumentando quase dois pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025.

Na prática, isso significa que cerca de 196 mil pessoas desenvolvem atividades laborais sem acesso às proteções associadas ao emprego formal.

As mulheres voltaram a concentrar os maiores incrementos neste indicador, elevando a informalidade feminina até 29,1%, acima dos 25,5% observados nos homens.

O crescimento da informalidade concentrou-se principalmente em trabalhadores por conta própria e em atividades vinculadas a lares como empregadores.

Os números também mostram um aumento significativo do trabalho parcial involuntário, ou seja, pessoas que trabalham menos horas do que gostariam devido à falta de oportunidades laborais.

Este grupo cresceu mais de 41% em um ano, refletindo uma pressão adicional sobre o mercado de trabalho regional.

A denominada taxa de pressão laboral, que considera tanto quem procura emprego quanto quem trabalha e deseja mudar ou complementar sua ocupação, alcançou 18,4%, evidenciando que uma parte importante dos trabalhadores continua buscando melhores oportunidades.

Enquanto o emprego continua crescendo lentamente, os dados mostram que o principal desafio para Biobío já não é apenas gerar postos de trabalho, mas também criar empregos formais, estáveis e capazes de absorver o crescente ingresso de pessoas no mercado de trabalho.

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