Entender por que as populações de fauna silvestre diminuem, permanecem estáveis ou se recuperam é uma das questões que um projeto Fondecyt recentemente concedido ao Dr. Eduardo Silva, acadêmico da Faculdade de Ciências Florestais e Recursos Naturais da UACh, buscará responder utilizando milhões de imagens de câmeras de monitoramento registradas por mais de 15 anos e novas amostragens que abrangerão um extenso território.
A iniciativa “Da defaunação à recuperação: Separando os efeitos da mudança de uso do solo e das interações entre espécies sobre as dinâmicas de ocupação em mamíferos” (Fondecyt 1262343) permitirá conhecer as tendências das populações de diversas espécies de mamíferos que habitam as florestas do sul do Chile.
“O projeto é importante porque até hoje conhecemos muito pouco das tendências populacionais reais de diversas espécies, como o pudu e o gato-do-mato. Então, aproveitaremos a grande quantidade de locais que amostramos nos últimos 15 anos, que correspondem a cerca de 900 pontos distribuídos na Cordilheira da Costa e nos Andes, das regiões de Los Ríos e Los Lagos, e vamos reamostrar exatamente os mesmos locais. A partir disso, poderemos estimar efetivamente quais espécies diminuíram ou aumentaram sua população”, explicou o Dr. Silva.
Outro aspecto importante que observarão é onde ocorre esse aumento ou diminuição e por quê. “Essa informação vamos cruzar com as mudanças de uso do solo, e também com a presença ou ausência de outras espécies, nativas e invasoras, que poderiam ajudar a entender as tendências temporais”, acrescentou.
Em relação a este último, não só se buscará entender como as espécies invasoras, como a lebre, o javali ou o cão, afetam as nativas, mas também como as espécies nativas interagem entre si. “Por exemplo, poderíamos nos perguntar se a população de raposa-cinzenta aumenta, o que acontece com a raposa-chilota? É provável que encontremos surpresas que nos ajudem a entender melhor os fatores que explicam tanto a diminuição quanto o aumento das populações de animais silvestres, e que até hoje não foram explorados”, explicou.
O docente também manifestou que é preciso levar em consideração que alguns locais amostrados anos atrás hoje podem ter mudado seu uso do solo, um terreno pode ter sido construído, ter sofrido um incêndio, pode existir presença de cães, mas também é possível que em outros locais a floresta hoje esteja em melhores condições. Essa variação de cenários é muito provável de encontrar e tornará possível avaliar como as espécies respondem a essas mudanças.
“Nosso estudo será realizado nas florestas temperadas do sul do Chile e se concentrará em mamíferos de maior porte, incluindo espécies de floresta como o pudu, a raposa-chilota e o gato-do-mato; generalistas, por exemplo, o puma e a raposa-cinzenta; e várias espécies não nativas, como as lebres e os cães”, indicou.
Vale mencionar que fazem parte desta iniciativa os Drs. John Gajardo, da Faculdade de Ciências Florestais e Recursos Naturais, e Mauricio Soto, da Faculdade de Ciências da UACh.
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