O Arboreto e o Fundo Teja Norte foram as propriedades onde estudantes de Engenharia Florestal da Universidade Austral do Chile se aproximaram de diferentes dimensões do planejamento e gestão territorial. Trata-se de duas saídas de campo no âmbito da disciplina “Planejamento Territorial”, cujo propósito foi que os futuros profissionais sejam capazes de compreender e gerenciar a complexidade dos territórios, bem como identificar elementos e atributos suscetíveis de serem representados cartograficamente para a elaboração de um diagnóstico territorial.

De acordo com a professora da UACh responsável pela disciplina, Nolwenn Boucher, durante o percurso os participantes observaram componentes ambientais, de infraestrutura, uso do solo e áreas de interesse para a conservação e o desenvolvimento de atividades acadêmicas e recreativas.

“A partir das informações coletadas em campo e complementadas com ferramentas de análise espacial, os estudantes elaboraram mapas temáticos e relatórios técnicos que incluíram diagnósticos e recomendações voltadas a um eventual plano de ordenamento territorial para o setor. Este exercício permitiu aplicar metodologias de análise territorial e fortalecer competências relacionadas à interpretação e representação de informações geográficas”, explicou a docente.

Um laboratório vivo

Para os estudantes, atividades de campo como esta são de grande valor para sua formação. “Como estudante do 5º ano de engenharia florestal, ano após ano tenho ido a este setor em diferentes disciplinas, o que proporciona diferentes pontos de vista deste lugar, e ao conhecer este espaço a partir do planejamento territorial e como a sociedade o vê, acho lamentável, pois sendo um lugar que oferece diferentes serviços, não é aproveitado como deveria”, comentou a estudante María Jesús Estobar.

A estudante relatou que na jornada se dialogou sobre o uso que se dá a este local e a delimitação da propriedade, além do problema da entrada de animais de estimação e ciclistas, que é agravado pela escassa delimitação e sinalização das rotas apropriadas para esses fins. “Existem registros de diferentes aves e cobras atropeladas por quem circula de bicicleta. Falou-se de alternativas que poderiam mitigar isso para que a população reconheça que este laboratório vivo é muito importante para toda a comunidade”, enfatizou.

Visita ao Serviço de Avaliação Ambiental

Como complemento a esta experiência, os estudantes também participaram de uma visita ao Serviço de Avaliação Ambiental (SEA) de Valdivia. Na ocasião, esteve presente o diretor regional do SEA, Guillermo Ready, junto a profissionais da instituição, que apresentaram o funcionamento do órgão e do Sistema de Avaliação de Impacto Ambiental (SEIA), abordando as principais etapas do processo de avaliação ambiental, a participação cidadã e a coordenação entre órgãos públicos.

Uma das estudantes que compareceu foi Vanessa Hernández, que destacou que “é importante para nós participar dessas instâncias para ter uma proximidade com esses órgãos que requerem ferramentas de planejamento para conhecer de perto como eles são gerenciados, quais são as necessidades setoriais e quais são os principais desafios que as instituições enfrentam para o cumprimento de seus objetivos e funções”.

“Aprendemos que o SEA participa dentro da legislação ambiental na etapa de avaliação de projetos, sob as diretrizes do artigo 81 da Lei 19.300 sobre Bases Gerais do Meio Ambiente, a qual fornece os lineamentos para seu funcionamento. A função deste órgão é avaliar se os projetos devem ou não ingressar no sistema de avaliação e, quando se qualificam para entrar, encarrega-se de revisar os Estudos de Impacto Ambiental (EIA). Além disso, lidera um processo de consultas com a entidade titular do projeto até sua aprovação ou rejeição”, acrescentou.

Esta visita gerou uma conversa que abordou situações reais de gestão ambiental e tomada de decisões territoriais. Um exemplo disso foi o tema do Plano Regional de Ordenamento Territorial, encarregado de orientar o desenvolvimento sustentável do território, um âmbito muito importante em relação aos estudos de impacto ambiental e às comunidades.

Essas instâncias fortalecem a capacidade dos futuros profissionais para compreender a complexidade dos territórios, integrar múltiplas dimensões na tomada de decisões e contribuir para o design de estratégias de planejamento, conservação e desenvolvimento sustentável, aspectos cada vez mais relevantes no exercício da profissão florestal.


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