O setor florestal poderia contribuir mais para o emprego nacional. Em 2024, toda essa indústria empregou 102 mil pessoas, mas há dez anos esse número chegava a 114 mil.
A ocupação dessa atividade econômica está dividida em quatro segmentos principais: indústria primária, secundária, silvicultura e extração e outras atividades silvícolas.
O segmento que mais contribuiu há dois anos foi a indústria primária, pois concentrou 30% da ocupação desse setor e empregou 30.311 pessoas, segundo o anuário florestal 2025 do Ministério da Agricultura e do Instituto Florestal (Infor). No entanto, essa área empregava 35.520 pessoas em 2014. Algo semelhante ocorre com a indústria secundária.
O setor está entre as prioridades do governo de José Antonio Kast. De fato, por meio do Ministro da Agricultura, Jaime Campos, a atual administração está trabalhando em um projeto de lei para impulsionar e fomentar a atividade da área, em particular as pequenas e médias empresas. Os segmentos que estão sendo observados são as serrarias e as plantas de remanufatura, de painéis pequenos e de lâminas, entre outras. Precisamente, boa parte delas se insere nas indústrias primária e secundária.
Embora a indústria primária seja uma das que mais emprega no setor florestal, sua contribuição vem caindo ano após ano, assim como a da indústria secundária. Comparando 2014 e 2024, a indústria primária caiu 15%, com 5.209 empregos a menos, enquanto a secundária diminuiu 17%, com 5.181 postos de trabalho a menos, de acordo com o anuário.
Dentro dessas categorias, a atividade específica que mais gera emprego é a das serrarias, empregando 12.591 pessoas, o que representa 12% do total. Apesar de ser a maior, este foi seu menor número desde pelo menos 2003. Em seus melhores anos, essa indústria empregou 20 mil pessoas, entre 2005 e 2007.
Seguem-se em ocupação a exploração de florestas, do segmento silvícola e extração, que empregou em 2024 11.762 pessoas; e a área de portas, janelas e molduras, da indústria secundária, com 9.768 trabalhadores.
Serrarias em baixa
As serrarias, instalações industriais onde os troncos são processados, mudaram ao longo do tempo, o que se explica por diferentes fatores. Entre eles, o menor nível de projetos imobiliários, os incêndios, a violência rural, o fechamento das próprias serrarias e a expiração do DL 701 que, segundo críticas da indústria, removeu o incentivo para plantar em terrenos pequenos e médios.
O estudo mais recente sobre serrarias realizado pelo Infor é de 2025. Nele, relatam que a produção de madeira serrada chegou a 7 milhões de metros cúbicos (m³) em 2024, um aumento de 1% em relação ao ano anterior, mas uma queda de 12% em comparação com 2014. 98% dessa madeira veio, em 2024, do pinheiro radiata, enquanto o restante, de outras espécies.
“Uma tendência que se acentua na medida em que, entre outras coisas, não há um recurso florestal disponível que permita diversificar a espécie a serrar de forma significativa”, afirma o relatório do Infor.
Isso em produção. Agora, se observarmos a quantidade de serrarias em funcionamento (e não paralisadas) nos últimos dez anos, estas também mostram uma diminuição relevante de 149 plantas.
Exatamente, em 2014 havia 912 serrarias e há dois anos, o número mais atualizado, um total de 763. Isso significa uma queda de 16% na década. Por sua vez, em 2023 havia 801 serrarias em funcionamento. Em comparação com o relatório de 2024, implica um decréscimo de 38 plantas.
“Uma das características da indústria de serraria no Chile é a alta concentração do volume produzido em um número reduzido de empresas. Se considerarmos as 10 empresas de maior produção durante o ano de 2024, observa-se que juntas representam 59,6% da produção nacional de madeira serrada”, manifesta o estudo, destacando na liderança de capacidade instalada as empresas Arauco, CMPC e Forestal Santa Blanca, entre outras.
A madeira serrada proveniente das grandes plantas caiu nos últimos anos. Se em 2014 eram produzidos 4,7 milhões de metros cúbicos de madeira serrada, há dois anos foram elaborados 3,9 milhões de m³, um total de 842 mil m³ a menos. A média produtiva das grandes serrarias no período 2014-2023 era de 4,5 milhões de m³.
Por sua vez, a produção dos setores pequenos e médios de serraria também mostra uma clara tendência de queda, especialmente nos anos 2023 e 2024. Nesse setor, a média produtiva no período 2014-2023 atingiu 3,5 milhões de metros cúbicos de madeira serrada. No entanto, a produção de 2024 desse segmento foi de 3,09 milhões de m³: exatamente 460 mil m³ a menos.
O estudo do Infor analisa que “a tendência do período 2010-2024 evidencia que a queda no número de serrarias em funcionamento se concentra claramente nas serrarias móveis, assim como o aumento nas serrarias paralisadas. O número de serrarias permanentes em funcionamento tem uma clara tendência de crescimento até o ano de 2019, para depois declinar, mas sem retornar aos níveis do início da década anterior”.
Outro problema
A forestação é outro problema que o anuário florestal do ano passado do Infor evidencia.
O relatório aponta que existiam 85.593 hectares plantados em 2024, dos quais 98% correspondiam a reflorestamento, enquanto os outros 2% a forestação, com exatas 1.831 hectares, que são, principalmente, espécies diferentes do pinheiro radiata e do eucalipto, os quais já não são muito comuns nesse processo.
“Considerando que a forestação está há mais de uma década em níveis muito baixos, fica evidente que os proprietários de solos com aptidão florestal desprovidos de florestas não plantam seus terrenos sem um incentivo de fomento como o que houve, em diferentes versões, durante cerca de quatro décadas (1974 a 2012)”, especifica o órgão.
Justamente, desde 2013 se observa uma forte queda na forestação, chegando a 6.609 hectares, quando anos antes, entre 2000 e 2012, a média era de 44 mil hectares por ano.
Fonte:La Tercera
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