Desde criança, Yenny Lineros sentiu afinidade pelas ciências biológicas e pela natureza. Nascida em Puerto Varas e criada em Puerto Montt, originalmente sonhava em se tornar veterinária.

No entanto, uma visita inesperada à Faculdade de Ciências Florestais da Universidade Austral do Chile mudou completamente o rumo de sua vida profissional. "Fomos conhecer Veterinária, mas havia tanta demanda que nos ofereceram um tour pela Florestal. Foi lá que descobri uma carreira que misturava biologia, genética e trabalho com a natureza", recorda.

Com o apoio de sua família, ingressou em engenharia florestal em Valdivia e rapidamente encontrou interesse nas áreas relacionadas à genética e fisiologia vegetal. Durante seus anos universitários, obteve uma bolsa do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico, experiência que a levou a estudar um ano na Alemanha e ampliar sua visão sobre pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico.

Após concluir seus estudos, realizou seu estágio profissional na empresa Arauco e, em 2006, ingressou na Bioforest, o centro de pesquisa e desenvolvimento florestal da companhia. Embora viesse de uma formação mais voltada para o trabalho de campo, o laboratório lhe abriu um novo mundo profissional ligado à biotecnologia vegetal.

Vocação Científica

"Quando cheguei aqui, não sabia praticamente nada de laboratório, mas aprendi do zero e me apaixonei pela embriogênese somática", comenta. Com o tempo, passou de responsável pela área a liderar a chefia de Embriogênese Somática e P&D, uma das unidades mais estratégicas da empresa.

Seu crescimento profissional foi acompanhado por uma sólida formação acadêmica. Em 2016, cursou um mestrado em Ciências Florestais na Universidade de Concepción com apoio da empresa Arauco, aprofundando-se em criopreservação e otimização de cultivos in vitro. Posteriormente, realizou um doutorado focado no envelhecimento do tecido embriogênico de pinheiro e como certas variáveis afetam o desenvolvimento do cultivo in vitro.

Para Yenny, uma das principais motivações de trabalhar em pesquisa aplicada é que os resultados têm impacto direto na operação florestal. "Muitas vezes, a pesquisa universitária fica apenas em publicações científicas. Aqui, ao contrário, podemos aplicar rapidamente as soluções e melhorar processos reais", sustenta.

Florestas do Futuro

Atualmente, Yenny lidera uma equipe especializada em produção clonal de pinheiros por meio de embriogênese somática, uma técnica biotecnológica que permite gerar milhares de plantas idênticas a partir de uma única semente. O processo começa com cruzamentos controlados entre árvores selecionadas por suas características genéticas e produtivas.

A partir de embriões imaturos obtidos dessas sementes, o laboratório induz a multiplicação celular até gerar tecidos embriogênicos capazes de produzir múltiplos embriões somáticos. O tecido embriogênico é criopreservado em nitrogênio líquido para manter seu estado juvenil e garantir sua disponibilidade futura.

"Nós sempre dizemos que somos a maternidade da empresa Arauco, pois no laboratório de Biotecnologia nascem todos os pinheiros", explica a pesquisadora. O laboratório não apenas desenvolve novos clones, mas também utiliza ferramentas de seleção genômica para identificar quais têm maior potencial produtivo antes de serem enviados ao campo.

Graças à análise de DNA e modelos preditivos, o processo de seleção foi consideravelmente acelerado. Se antes avaliar um clone podia levar mais de uma década, hoje é possível reduzir significativamente os tempos por meio de análises genéticas avançadas.

O laboratório de Biotecnologia também trabalha em outras linhas estratégicas, como certificação molecular de clones de pinheiro e eucalipto provenientes do Chile, Argentina e Brasil, além de micropropagação de eucaliptos e apoio a projetos da área de pesquisa florestal do centro de P&D da empresa.

Liderança Feminina

Em paralelo ao seu trabalho científico, Yenny também se tornou uma referência feminina dentro do setor florestal, historicamente dominado por homens. Embora reconheça que ainda existe uma importante lacuna de gênero em áreas operacionais e de campo, destaca os avanços impulsionados por programas de inclusão e equidade.

"Ainda falta muito, mas sim, tem-se avançado. Hoje existem mais espaços para que mulheres ingressem em áreas científicas e tecnológicas dentro do mundo florestal", afirma.

A profissional também valoriza o trabalho colaborativo entre empresas e universidades, convencida de que a inovação requer uma visão multidisciplinar. Atualmente, mantêm vínculos com diferentes instituições de ensino para potencializar pesquisa aplicada e transferência tecnológica.

A Acoforag destacou o trabalho desenvolvido por Yenny Lineros e sua equipe, sublinhando sua contribuição para o fortalecimento da biotecnologia florestal chilena, a conexão entre ciência e produção, e a capacidade de transformar conhecimento em soluções concretas para uma indústria mais eficiente, sustentável e preparada para os desafios do futuro.

Reportagem naRevista Acoforag


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