Na primeira semana de vigência do "comando unificado" sob responsabilidade de José Manuel Soto, general de brigada do Exército, estabelecido pelo Governo para a chefia do estado de exceção na macrorregião sul, os sindicatos destacam que as mudanças aplicadas mantiveram um "nível de desdobramento similar" ao que existia antes de 20 de junho.

Até essa data, a Marinha guardava as províncias de Arauco e Biobío e o Exército era responsável por La Araucanía.

Mas, assim como a medida obtém avaliação positiva entre quem vive e transita regularmente pela Rota 5 Sul, observa-se que a "percepção de insegurança" persiste entre aqueles que vêm de outras áreas e se deslocam com medo de sofrer atentados.

Os setores produtivos das regiões sob a medida constitucional concordam que, para atrair investimentos para a área e aumentar o turismo, uma das prioridades é reverter essa visão.

Entre quinta e sexta-feira, o gerente da Associação de Contratistas Florestais, René Muñoz, percorreu mais de 400 km e constatou uma presença marcante de efetivo nas estradas. No entanto, afirma que nesse desdobramento também é preciso considerar que, durante esses dias, o Presidente José Antonio Kast cumpriu agenda em La Araucanía. "Pude ver muita presença militar e policial, em cada cruzamento de estrada", relata.

Em sua análise, há consenso entre as organizações produtivas "sobre a necessidade de fortalecer a segurança para reativar o desenvolvimento econômico".

Muñoz sustenta que as pessoas que vêm de outras regiões "querem cruzar rápido por Malleco, porque sentem insegurança e temem sofrer ataques. Essa estigmatização é um grande lamento para a região, as pessoas querem passar direto para chegar logo a Pucón e não param para

Conhecer outros destinos turísticos. Além de reduzirem os números de atentados, a percepção de insegurança continua".

Aponta, igualmente, que na visita presidencial "foi estabelecido o compromisso de reverter essa percepção".

"Mudar a percepção"

O presidente da Associação de Agricultores de Malleco, Sebastián Naveillán, afirma que "foi discutido que não basta reduzir os atentados. É preciso mudar a percepção que as pessoas têm da região. Este é um trabalho conjunto por meio de um plano em que participam o Estado e os privados para potencializar a região diante dos visitantes".

Na sexta-feira, percorreu mais de 100 km e confirmou a presença militar nas rotas. "Nós que vivemos na região estamos acostumados a ver os tanques Mowag, o desdobramento do Exército. Temos que mostrar segurança à população e também aos visitantes", diz, e acrescenta que esse percurso "deixa a sensação de que há um trabalho coordenado que dá muita segurança ao transitar pelas rotas e que o desafio de todas essas medidas é levantar produtivamente a região".

José Miguel Stegmeier, presidente do Consórcio Agrícola do Sul e vice-presidente da SNA, relata que "temos a mesma percepção positiva de antes das mudanças: vemos patrulhas, postos de vigilância e percursos por estradas rurais".

Compartilha a percepção de que "embora o terrorismo seja menos intenso, ainda afasta as pessoas e os investimentos. Por isso, quando isso se normalizar, teremos uma sensação generalizada de segurança". E acrescenta outro aspecto: "Há áreas, de Mulchén para o sul, em que não há sinal telefônico por quase 50 km, o que gera maior sensação de desamparo".

Para Patricio Santibáñez, presidente da Multigremial de La Araucanía, o importante "é que se avance na redução do número de atentados e na desarticulação dos grupos terroristas". Considera que "as decisões táticas não são o central, a menos que haja retrocessos que obriguem a revisá-las".

Em relação à percepção que existe em outras regiões sobre a violência na macrorregião sul, sustenta que "embora haja uma redução real nos atos de violência, ao nos mantermos com níveis menores, ainda assim a imagem e as decisões de investimento são afetadas".

Santibáñez ressalta que "o objetivo deve ser erradicar completamente a violência" e destaca que "na visita do Presidente Kast conseguimos o compromisso de manter o estado de exceção e, tomara, chegar a zero atentados neste governo".

Fonte: El Mercurio

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