O maior golpe contra o roubo de madeira registrado na Região de Ñuble foi concretizado pelo Ministério Público e pela Polícia de Investigações (PDI) após uma extensa investigação que culminou com a detenção de 17 integrantes de uma organização criminosa dedicada à subtração, processamento e comercialização ilegal de madeira.
A operação, denominada “Operação Formigas”, foi liderada pelo Sistema de Análise Criminal (SAC) do Ministério Público de Ñuble, juntamente com detetives da Brigada de Investigação Criminal (Bicrim) de Chillán e da Brigada Investigadora de Lavagem de Ativos (Brilac) da PDI.
A investigação permitiu comprovar pelo menos 14 casos de roubo de madeira em propriedades da Forestal Arauco localizadas na comuna de El Carmen. Segundo explicou o promotor-chefe do SAC Ñuble, Rolando Canahuate, a organização mantinha uma estrutura operacional complexa que incluía logística de transporte, processamento da madeira e mecanismos para aparentar legalidade na sua comercialização.
“O que buscamos no Sistema de Análise Criminal é atacar onde mais dói, que é precisamente o seu patrimônio. Seguir o rastro do dinheiro é a única forma de ir acabando com este tipo de organizações”, afirmou o promotor.
Como parte da investigação, o Ministério Público solicitou ainda a retenção de 28 produtos bancários vinculados aos acusados e anunciou ações destinadas a perseguir eventuais crimes tributários associados à atividade ilícita.
Serraria operava como centro de armazenamento e processamento
Durante as buscas realizadas em diferentes pontos da região, as autoridades apreenderam mais de 40 veículos e maquinários utilizados para o roubo e transporte de madeira, entre eles caminhões, camionetes, tratores, motosserras e equipamentos industriais, bens avaliados em cerca de $1.500 milhões.
Da mesma forma, foi confiscada madeira processada e armazenada numa serraria localizada na estrada para Pinto, em Chillán, cujo valor foi estimado em aproximadamente $3.000 milhões. Também foram encontrados mais de $3 milhões em dinheiro, três espingardas, um revólver e mais de cem munições. As armas tinham os números de série adulterados.
De acordo com a formalização, o principal líder da organização seria Carlos Jara Urra, proprietário de uma empresa florestal que, segundo o Ministério Público, funcionava como centro de operações do grupo. Junto a ele, foram identificados como cabeças José Urra Bórquez, Juan Urra Troncoso e Claudio Montes Constanzo.
O promotor Álvaro Serrano explicou que a madeira subtraída era transportada até a serraria, onde era processada e posteriormente comercializada utilizando documentação adulterada.
“Inclusive falsificavam guias de remessa para justificar o transporte de madeira roubada e aparentar legalidade diante de controlos policiais ou fiscalizações nas rotas”, assinalou.
A investigação também estabeleceu que três trabalhadores de uma empresa contratada ligada à Forestal Arauco forneciam informações privilegiadas sobre propriedades com menor vigilância e carregamentos prontos para serem retirados, facilitando assim a prática dos crimes.
Após a audiência de formalização, o Juizado de Garantia de Yungay decretou prisão preventiva para os quatro principais acusados, enquanto os restantes ficaram sujeitos a medidas cautelares como proibição de se aproximar das propriedades afetadas, proibição de sair do país e de manter contacto entre si.
O tribunal fixou um prazo de cinco meses para o desenvolvimento da investigação
O prefeito inspetor Enrique Zamora, chefe da Região Policial de Ñuble, classificou o procedimento como uma “investigação criminal histórica”, destacando que durante cerca de um ano e meio foram empregues diversas técnicas de inteligência policial, análise criminal e diligências intrusivas para reunir as provas necessárias.
Do Governo, o delegado presidencial regional de Ñuble, Diego Sepúlveda, valorizou o resultado da operação e afirmou que se trata do maior golpe ao roubo de madeira na história da região. Na mesma linha, o secretário regional de Segurança Pública, Héctor Ponce, recordou que este crime faz parte das prioridades estabelecidas no Plano contra o Crime Organizado 2026.
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