A decisão da Innapel de recorrer a um processo de liquidação voluntária gerou preocupação entre usuários de fogões a pellet da Região de Biobío, que temem que a saída da empresa do mercado possa afetar a disponibilidade do combustível em plena temporada de inverno.
A inquietação se reflete em consumidores e consumidoras como María Lazcano, moradora de Chiguayante, que reconheceu que a notícia despertou incerteza. “Em casa usamos pellet durante todo o inverno e consumimos cerca de três sacos por semana. Ao saber da notícia da Innapel, fiquei bastante preocupada, porque a gente lembra do que aconteceu há alguns anos, quando era difícil encontrar pellet.”
“Embora as autoridades digam que não deve haver problemas de abastecimento, ainda existe incerteza e dá medo que mais adiante falte estoque quando as temperaturas caírem ainda mais”, comentou.
Uma visão similar tem Carlos Muñoz, residente de San Pedro de la Paz. “Nosso fogão a pellet é a principal fonte de aquecimento da casa e nos meses mais frios chegamos a consumir cerca de um saco diário. A situação da Innapel gera preocupação porque era uma empresa conhecida na região e a gente não sabe que efeito sua saída do mercado pode ter. Espero que se cumpra o que as autoridades e o setor disseram”, afirmou.
Explicação da empresa
A empresa informou que a liquidação responde a uma complexa situação financeira e operacional que se agravou durante os últimos meses. Segundo detalhou, realizou diversos esforços para manter a continuidade de suas operações, mas as condições atuais do setor tornaram inviável a continuidade do negócio.
Entre as causas expostas estão a diminuição de matéria-prima devido ao fechamento de cerca de 200 serrarias durante o último ano e a perda de superfícies florestais por incêndios.
De acordo com a companhia, esses fatores provocaram uma redução próxima a 40% no fornecimento necessário para suas operações. A isso se somou o aumento nos custos de energia elétrica e outros insumos.
Sobre este ponto, o ministro da Agricultura, Jaime Campos, sinalizou que poderia existir uma situação pontual em relação a alguns insumos, embora tenha descartado um problema estrutural.
“É possível, não tenho informação sobre isso, é possível que exista escassez desses insumos. Mas estamos em Concepción, na capital florestal do Chile, onde temos a maior quantidade de plantações florestais do país. Acredito que isso é algo circunstancial”, afirmou.
Apesar das dúvidas surgidas após o anúncio, o secretário regional de Energia de Biobío, Javier Salamanca, insistiu que o abastecimento está garantido. Explicou que o Ministério monitora permanentemente a produção e disponibilidade de pellet a nível regional e nacional, especialmente diante de situações como a da Innapel.
A autoridade indicou que foram realizadas reuniões com o setor produtor para coordenar ações destinadas a resguardar o fornecimento durante o inverno.
Segundo explicou, os produtores garantiram que não existirão problemas de abastecimento e comprometeram medidas para privilegiar o mercado interno, incluindo uma diminuição dos volumes destinados à exportação.
Salamanca destacou ainda que, atualmente, existem 48 empresas produtoras entre Valparaíso e Magallanes com capacidade para abastecer o mercado nacional.
Nesse contexto, reiterou que a Innapel não era a principal nem a única empresa fornecedora de Biobío, portanto sua saída não deveria afetar significativamente a disponibilidade do combustível.
“De acordo com o exposto, fazemos um apelo à tranquilidade em relação ao estoque de pellet”, afirmou o secretário regional, acrescentando que a informação disponível no Ministério de Energia indica que existe fornecimento suficiente para atender à demanda em condições normais durante a presente temporada de inverno.
Fonte:Diario Concepción
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