Com o objetivo de mostrar como diferentes organismos públicos e privados trabalham para proteger as florestas, foi realizado o Seminário de Sanidade Florestal voltado para estudantes de engenharia florestal da Pontifícia Universidade Católica. A iniciativa contou com o apoio da Corporação Nacional Florestal (Conaf) e permitiu que os futuros profissionais conhecessem o trabalho da Corporação na proteção fitossanitária das florestas, por meio da divulgação das principais ameaças que enfrentam as florestas nativas e as plantações florestais, bem como as estratégias para combatê-las.

Durante o encontro, a Conaf destacou que tanto a floresta nativa quanto as plantações têm sido cada vez mais afetadas por pragas, fenômeno estreitamente ligado às mudanças climáticas e à intervenção humana nos ecossistemas. «Diante desse cenário, a Conaf desenvolve programas de monitoramento e pesquisa para entender como as pragas se comportam e desenvolver métodos de controle que protejam e conservem o recurso florestal», explicou Catalina Suau, chefe da Seção de Sanidade Florestal da Conaf.

Além disso, Catalina enfatizou que o contexto da atividade se situa em um período de transição da Conaf para o SERNAFOR, onde são reforçadas as atribuições do serviço em matéria de pragas e doenças, atribuindo ao serviço a responsabilidade de gerar ações de prevenção, detecção e controle de agentes daninhos que não estejam sujeitos a controle obrigatório.

O seminário foi realizado em maio no Campus San Joaquín da PUC e foi presidido pela acadêmica Priscila Moraga da mesma instituição de ensino. Além disso, contou com a participação de Ariel Sandoval, do Serviço Agrícola e Pecuário (SAG); Cristián Barría, da empresa Arxada Quimetal; e Gloria Molina, especialista em manejo integrado de pragas.

Controle biológico

Um dos temas mais destacados do seminário foi o Programa de Controle Biológico em Plantações Florestais da Conaf, desenvolvido a partir de seu Laboratório de Entomologia em Chillán, como apoio aos pequenos e médios produtores florestais. Essa abordagem consiste em usar organismos vivos, como parasitoides, para controlar pragas de forma natural, com o objetivo de manter a afetação abaixo do limiar de dano econômico.

Entre os exemplos apresentados estão o controle da vespa broqueadora (Sirex noctilio), que danifica os pinheiros; a traça do broto do pinheiro (Rhyacionia buoliana); e o gorgulho desfolhador do eucalipto (Gonipterus platensis), pragas que afetam diretamente a produtividade das plantações.

Proteção à floresta nativa

Os estudantes também conheceram os problemas que afetam a floresta nativa, em particular as florestas de Nothofagus, como carvalhos, lengas e coigües. A Conaf apresentou três pesquisas em andamento realizadas em colaboração com universidades e institutos:

Com o Inia, pesquisa-se o manejo e a mitigação de danos causados por Proholopterus chilensis em Nothofagus, baseado na ecologia química.

Com a Universidad Mayor, estuda-se a relação entre o complexo Gnathotrupes (insetos broqueadores) e os fungos de ambrosia que dissemina e seu impacto em árvores do gênero Nothofagus.

Com a Universidad de Concepción, pesquisa-se o papel dos fungos patogênicos do solo em focos de mortalidade dessas florestas.

Como caso especial, foi apresentado o «Dano Foliar da Araucária» e o trabalho da Conaf no monitoramento da floresta, investigação de agentes causais e estratégias de mitigação.

Visita de campo na Reserva Nacional Lago Peñuelas

Para complementar o aprendizado em sala de aula, os estudantes realizaram uma visita à Reserva Nacional Lago Peñuelas, onde puderam observar diretamente como as pragas se apresentam, que danos causam e como as estratégias de controle são aplicadas no campo.

A atividade foi guiada pelos profissionais do Departamento de Gestão Florestal da Conaf: Catalina Suau, chefe da Seção de Sanidade Florestal; Celso Carnieletto, chefe da Seção de Bacias Hidrográficas; Valentina Cortés, profissional do departamento; e Gerardo Jara, profissional da Reserva Nacional Lago Peñuelas, que guiou o grupo durante o percurso pelos diferentes pontos de presença de pragas.

Compartilhar: