Seis meses foi o prazo determinado pelo Juizado de Garantia de Concepción para a investigação do megaincêndio que ocorreu na Região do Biobío durante janeiro deste ano e que causou a morte de 20 pessoas. O período está próximo de terminar, especificamente no final de julho.

Nesse contexto, cabe lembrar que existe um único imputado, identificado como Claudio Luna, a quem o Ministério Público comunicou acusações pelo crime consumado de incêndio florestal, mais 20 quase-crimes de homicídio, 14 quase-crimes de lesões graves e menos graves, e danos, ficando sujeito às medidas cautelares de prisão domiciliar parcial noturna e proibição de saída do país.

Sobre o prazo para a investigação, os municípios dos setores afetados concordaram que para eles é fundamental contar com os detalhes das diligências, apontando, entre diferentes argumentos, para dar certezas às famílias afetadas e consolidar melhores medidas preventivas para evitar esse tipo de catástrofe.

Nessa linha, da Prefeitura de Penco, uma das comunas mais danificadas pelos sinistros, afirmaram que "esperamos que a investigação sobre os responsáveis pelos fatais incêndios florestais de janeiro passado, que tiraram a vida de 20 pessoas e deixaram cerca de 3.500 residências afetadas em Penco e Lirquén, avance com a maior celeridade possível e permita esclarecer os fatos".

Da mesma forma, esclareceram que, como município, não receberam relatórios oficiais sobre as diligências em andamento, "entendendo que se trata de uma investigação que se desenvolve sob estrito sigilo".

Na administração municipal fizeram um apelo ao Ministério Público para que, na medida em que o processo permita, "possa fornecer informações sobre os avanços da investigação, com o objetivo de dar maior tranquilidade e certezas às famílias afetadas e a toda a comunidade".

Por sua vez, o prefeito de Concepción, Héctor Muñoz, afirmou que "a ideia é que a investigação avance o mais rápido possível (...) a postura do município é que se investigue. Nós temos toda a disposição de colaborar também se houver matérias que o município possa tratar com alguns vizinhos, como foi vista a situação do incêndio".

O chefe municipal indicou que as perícias do processo penal são importantes para "evitar futuros incêndios (...) Portanto, uma investigação, um trabalho de informação preventivo, também é importante. Assim, sobre esta investigação, a única coisa que pedimos é que avance o mais rápido possível".

O prefeito Muñoz, ao mesmo tempo, enfatizou que entende que os processos investigativos exigem tempo, já que aquilo "serve para prevenir futuros incêndios, e que, se houver responsáveis, sejam aplicadas as sanções correspondentes, porque isso também ajuda para que o restante dos vizinhos sejam responsáveis para evitar alguma tragédia".

Enquanto isso, o presidente da Associação de Municípios da Região do Biobío e prefeito de Hualqui, Ricardo Fuentes, também se referiu à urgência de ter resultados pelos sinistros de janeiro e disse que "vemos com preocupação que, a poucos meses do início de uma nova temporada de incêndios florestais, ainda existam investigações pendentes sobre sinistros que afetaram profundamente milhares de famílias".

No entanto, Fuentes acrescentou que também é preocupante que "ainda não contemos com uma Lei de Incêndios que estabeleça diretrizes sólidas em matéria de prevenção, fiscalização e persecução de responsabilidades".

O presidente da Amrbb sustentou que os municípios são a primeira linha de resposta frente a essas emergências e que conhecem de perto o impacto humano, social e econômico que os incêndios florestais geram.

Nesse sentido, complementou que "fazemos um apelo para que tanto a tramitação da Lei de Incêndios quanto as investigações avancem com a maior rapidez possível. A prevenção exige decisões oportunas e uma coordenação efetiva entre as municipalidades e as instituições do Estado".

A investigação judicial

Em janeiro de 2026, na audiência de formalização de Claudio Luna, o magistrado Carlos Aguayo rejeitou a solicitação do Ministério Público de decretar a prisão preventiva, ao considerar que não se pode atribuir responsabilidade a ele pela falta de manutenção da cabana e do fogão utilizado como cozinha, que lhe foi atribuído por seu empregador, que o havia contratado como cuidador apenas alguns dias antes do sinistro, sem receber nenhuma instrução ou recomendação. É que, até agora, o persecutor mantém que o incêndio começou no referido fogão.

Da mesma forma, o magistrado descartou que os antecedentes apresentados pelo Ministério Público indiquem que Luna, que não possui antecedentes criminais prévios e colaborou na investigação, tenha tentado fugir.

A hipótese do início do fogo

Segundo o órgão persecutor, por volta das 15h10 do dia 17 de janeiro de 2026, Luna Muñoz utilizou um fogão adaptado como cozinha artesanal na cabana que ocupava como cuidador do sítio Don Pablo, localizado no setor El Pino de Concepción, na altura do quilômetro 17 da Rota O-680.

Essa cozinha não tinha um dispositivo "apanha-faíscas" nem "capuz" no cano externo, portanto, ao ser usada pelo imputado, provocou que se incendiasse a abundante vegetação adjacente. O sinistro se propagou rapidamente para uma floresta que cobria a encosta de um morro próximo, cuja inclinação e vento presente favoreceram a geração de fagulhas que levaram as chamas na direção nordeste, até chegar ao sítio Trinitarias da Forestal Arauco, a cerca de 2,25 quilômetros do local inicial, e depois avançaram sem controle na direção norte, até chegar às comunas de Penco e Tomé.

Assim teria se gerado um megaincêndio que causou 20 mortes e deixou 14 feridos com lesões graves e menos graves e que, além disso, afetou um total de 9.000 residências a nível regional, 22.772 hectares de plantações florestais, mata nativa, arbustos, pastagens, construções, veículos e animais.

Fonte:Diario Concepción


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