A diminuição dos atos de violência rural registrada durante o primeiro semestre de 2026 trouxe novamente ao debate o futuro do estado de exceção constitucional vigente na Macrozona Sul.

Embora o Congresso tenha aprovado uma nova prorrogação por 30 dias para a região de La Araucanía e as províncias de Arauco e Biobío, foram os números apresentados pelo Executivo e a avaliação dos sindicatos do Biobío que marcaram a discussão.

Durante a tramitação na Câmara dos Deputados, o ministro secretário-geral da Presidência, José García Ruminot, informou que entre 1º de janeiro e 28 de junho deste ano os eventos de violência rural diminuíram 15% em relação ao mesmo período de 2025.

Em comparação com 2021, antes da implementação do estado de exceção, a redução chega a 82%.

Os dados também mostram uma queda de 16% nos ataques incendiários, 72% nos bens incendiados, 71% nos bloqueios de estradas e 18% nas usurpações.

No entanto, o Governo alertou que os atos com presença de armas de fogo aumentaram 16% em relação ao ano passado, situação que foi um dos argumentos para manter a medida extraordinária.

Nesse contexto, a Câmara aprovou a prorrogação com 104 votos a favor, 14 contra e 12 abstenções, decisão posteriormente ratificada pelo Senado com 34 votos favoráveis, dois contra e uma abstenção, estendendo o estado de exceção por mais 30 dias.

"OS CRIMES DIMINUÍRAM"

O gerente da Associação de Contratistas Florestais A.G. (Acoforag), René Muñoz, reconheceu que os números mostram uma redução objetiva da violência, embora tenha pedido que sejam interpretados considerando a realidade que ainda existe em parte da província de Arauco.

"Objetivamente, há uma diminuição da violência nas zonas declaradas em estado de exceção. Mas essa diminuição também é marcada pelo fato de que, em setores da província, simplesmente não se trabalha e, portanto, também não ocorrem atentados", afirmou.

O representante sindical sustentou que o estado de exceção tem sido útil para conter a violência, mas alertou que não pode se tornar uma política permanente.

"O estado de exceção é, por definição, uma medida excepcional e não pode se tornar normal. Temos que avançar para outra etapa", destacou.

Nesse sentido, ele propôs a necessidade de fortalecer o marco legal que regula a atuação das Forças Armadas, particularmente por meio das Regras de Uso da Força (RUF), para que possam assumir um papel mais ativo em setores complexos e contribuir para recuperar territórios onde ainda persistem grupos violentos.

No Biobío, um dos sindicatos que tem acompanhado de perto a evolução do conflito é a Federação Nacional de Sindicatos do Transporte Florestal (Fenasitransfor). Seu presidente, Heriberto López, afirmou que os resultados são perceptíveis para quem trabalha diariamente nas rotas da macrozona sul.

"Não temos dúvida alguma de que, desde que o atual estado de exceção foi implementado, os crimes de violência rural contra veículos de carga, especialmente na área florestal, diminuíram", garantiu.

O dirigente lembrou que a implementação dessa medida foi uma demanda histórica do setor, impulsionada inclusive por meio de mobilizações de transportadores para dar visibilidade à situação enfrentada pelos motoristas florestais.

No entanto, ele sustentou que a redução dos atentados não deve ser interpretada como o encerramento definitivo do conflito.

"O que queremos concluir é saber se essa queda se deve à presença constante das forças militares e policiais ou ao trabalho que a justiça está realizando. O importante é que a violência continue diminuindo e que existam acordos", indicou.

López acrescentou que o conflito tem raízes históricas e, por essa mesma razão, requer soluções que transcendam os períodos de governo.

"O que esperamos é que se busquem acordos, que exista diálogo e entendimento. Isso ajudará muito mais para que essa violência termine e permitirá que aqueles que trabalham na zona possam fazê-lo com segurança", enfatizou.

DEBATE NO CONGRESSO

Durante a discussão parlamentar, legisladores de diferentes setores concordaram em apoiar a continuidade do estado de exceção enquanto grupos armados continuarem operando na macrozona sul.

Ao mesmo tempo, pediram ao Executivo que desenvolva uma estratégia de longo prazo que permita avançar para uma normalização gradual da zona sem depender de renovações mensais.

Fonte:La Tribuna


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