Nas escritórios regionais da Agência de Sustentabilidade e Mudança Climática da Corfo, ocorreu nesta terça-feira a formação do Comitê Negociador do Acordo de Produção Limpa (APL) “Fomento do uso sustentável da floresta nativa do Biobío mediante ordenamento florestal”.

A constituição do comitê marca o início da etapa de negociação do APL, instância na qual representantes do setor público e privado revisarão e acordarão as metas, ações, prazos e mecanismos de acompanhamento que farão parte do futuro acordo.

A proposta se baseia em um diagnóstico desenvolvido entre novembro de 2025 e abril de 2026 na Região do Biobío, o qual permitiu identificar as principais condições, oportunidades e lacunas que o setor enfrenta para avançar em direção a um manejo sustentável e economicamente viável da floresta nativa.

O objetivo da iniciativa é fomentar o uso sustentável da floresta nativa regional mediante a implementação de planos de manejo com critérios de ordenamento florestal, o fortalecimento das capacidades técnicas e comerciais de proprietários e empresas, e a articulação interinstitucional necessária para consolidar o manejo ativo da floresta como uma atividade formalizada, rentável e ambientalmente responsável.

Diagnóstico e participação público-privada

Durante a jornada foram apresentados os resultados do diagnóstico realizado a 11 empresas interessadas, que em conjunto representam mais de 3.400 hectares de floresta nativa.

A atividade contou com a participação de representantes da Plantae Labs, empresa líder do consórcio, e da consultora Regenerativa. Pelo setor público participaram representantes da Secretaria Regional Ministerial do Meio Ambiente, da Corporação Nacional Florestal (CONAF), do Serviço de Biodiversidade e Áreas Protegidas (SBAP), do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário (INDAP), da Sercotec e da Agência de Sustentabilidade e Mudança Climática.

A diretora regional da Sercotec Biobío, Lucía Fernández, destacou a relevância de fortalecer a dimensão produtiva e econômica associada ao manejo da floresta nativa.

“Vamos continuar trabalhando para melhorar os encadeamentos produtivos e fortalecer a dimensão econômica vinculada à madeira e à floresta nativa. Continuaremos nos reunindo e colaborando para avançar conjuntamente nesta iniciativa com potencial para a região”, afirmou.

Por sua vez, Juan Francisco Gajardo, chefe do Departamento de Florestas e Mudança Climática da CONAF Biobío, valorizou a conversa interinstitucional gerada durante a jornada.

“Tivemos uma interessante conversa sobre como as diferentes instituições podem apoiar o processo de produzir bens e serviços mediante o manejo da floresta nativa, aumentando assim seu valor. Atualmente, existem florestas que apresentam condições de degradação e o manejo sustentável pode contribuir para sua recuperação”, sustentou.

Diego Álvarez Verdugo, coordenador regional da Agência de Sustentabilidade e Mudança Climática em Biobío, destacou a oportunidade que o acordo representa para compatibilizar o desenvolvimento produtivo com a recuperação dos ecossistemas regionais.

“Este APL abre uma oportunidade concreta para gerar valor a partir do manejo sustentável da floresta nativa, fortalecendo as capacidades de seus proprietários e promovendo novas alternativas de desenvolvimento para a Região do Biobío. Da Agência, queremos contribuir para que a atividade produtiva avance de mãos dadas com a restauração, a conservação e o cuidado desses ecossistemas, mediante compromissos verificáveis e uma colaboração efetiva entre o setor público, privado e as comunidades”, afirmou.

Lacunas e próximos passos

Entre as principais lacunas identificadas pelo diagnóstico estão a complexidade dos procedimentos administrativos, as dificuldades para acessar financiamento e a insuficiente disponibilidade de assistência técnica especializada para proprietários e empresas vinculadas à floresta nativa.

Para avançar nessas matérias, o Comitê Negociador acordou estabelecer um calendário de reuniões quinzenais destinado a revisar, ajustar e validar a proposta de metas e ações do acordo.

Da mesma forma, seus integrantes enfatizaram a necessidade de manter uma coordenação permanente entre as instituições públicas, o setor privado e os proprietários, além de promover a incorporação de novos participantes que permitam fortalecer o consórcio e ampliar o alcance territorial da iniciativa.

Os Acordos de Produção Limpa são instrumentos voluntários de colaboração público-privada reconhecidos pela Lei nº 20.416. Seu propósito é contribuir para o desenvolvimento sustentável das empresas mediante a definição de metas e ações específicas relacionadas a matérias ambientais, produtivas, sanitárias, trabalhistas e de eficiência no uso dos recursos.

Fonte:Portal Agro Chile


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