Com o objetivo de fortalecer a conservação dos anfíbios nativos da Patagônia, a Universidad Andrés Bello (UNAB), a Fundación Rewilding Chile e a ONG Rãzinha-de-Darwin firmaram um convênio de colaboração que dá ênfase especial à proteção da rãzinha-de-Darwin, uma das espécies mais ameaçadas e emblemáticas do Chile.
O acordo busca impulsionar iniciativas de pesquisa, monitoramento e conservação desta espécie singular, presente na zona centro-sul do Chile e na Argentina, que enfrenta múltiplas ameaças como as mudanças climáticas, a perda e fragmentação de seu habitat, os incêndios florestais e a quitridiomicose, uma doença fúngica que afeta sua pele e compromete suas funções vitais.
A rãzinha-de-Darwin foi registrada pela primeira vez há quase 200 anos pelo naturalista Charles Darwin e possui uma característica única no mundo. Segundo explicou Claudio Azat, diretor do Instituto One Health da UNAB, trata-se do único anfíbio conhecido entre mais de 9 mil espécies em que o macho desempenha o papel de "gestante".
“A metamorfose ocorre dentro do saco vocal do pai durante pelo menos dois meses. Posteriormente, o macho expulsa os girinos, que já são independentes e continuam seu desenvolvimento na floresta, como ocorre na selva valdiviana”, afirmou.
Azat destacou ainda a importância ecológica e científica desta espécie, sublinhando a necessidade de gerar evidências que permitam adotar as melhores medidas para sua conservação.
Trabalho colaborativo pela biodiversidade
Da Fundación Rewilding Chile, sua diretora executiva, Carolina Morgado, explicou que o convênio permitirá ampliar o trabalho que a organização tem desenvolvido nos parques nacionais Pumalín Douglas Tompkins e Corcovado, onde atualmente são executados programas de caracterização e monitoramento ecológico de anfíbios.
“Este acordo soma as capacidades científicas e acadêmicas da UNAB e a experiência da ONG Rãzinha-de-Darwin como referência nacional no estudo e conservação de anfíbios, fortalecendo nosso trabalho nos parques da Patagônia”, afirmou.
Por sua vez, Andrés Valenzuela, presidente da ONG Rãzinha-de-Darwin e pesquisador da Zoological Society of London (ZSL), destacou o valor do modelo colaborativo que reúne as três instituições.
“Contribuímos com nossa experiência técnica no desenho e implementação de programas de monitoramento de anfíbios a longo prazo. Junto com as capacidades das outras instituições, este acordo permitirá avançar significativamente na conservação de nossa biodiversidade”, sustentou.
Pesquisa e monitoramento na Patagônia
O convênio contempla a realização de campanhas de pesquisa e monitoramento em parques nacionais da Rota dos Parques da Patagônia, além do intercâmbio de informações científicas e técnicas, programas de capacitação e a utilização de ferramentas tecnológicas inovadoras para o estudo das populações de anfíbios e seus habitats.
Da mesma forma, as instituições projetam desenvolver ações alinhadas com a Estratégia Binacional de Conservação e o Plano RECOGE das Rãzinhas-de-Darwin, contribuindo para a proteção de uma das espécies mais singulares e vulneráveis do patrimônio natural chileno.
A iniciativa representa um novo passo na articulação entre a academia, as organizações ambientais e a sociedade civil para enfrentar os desafios que ameaçam a biodiversidade da Patagônia e assegurar a sobrevivência de suas espécies mais emblemáticas.
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