A indústria florestal voltou a evidenciar seu peso na economia do Biobío. O último Índice de Produção Manufatureira (IPMAN) do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) mostrou que a produção manufatureira regional diminuiu 4,2% em maio em relação ao mesmo mês do ano anterior, sendo precisamente as atividades ligadas à madeira e ao papel as que explicaram a maior parte desse resultado.
O relatório revela que as divisões "Produção de madeira e fabricação de produtos de madeira e cortiça" e "Fabricação de papel e produtos de papel" foram as atividades com maior incidência negativa sobre o indicador regional. Juntamente com o refino de petróleo, acumularam uma incidência de 7,732 pontos percentuais negativos, superando amplamente a contribuição positiva de outros setores industriais.
Madeira lidera a queda
A atividade de produção e manufatura de madeira registrou uma diminuição interanual de 21,2%, tornando-se o setor que mais afetou o desempenho industrial do Biobío. Sua incidência atingiu 3,616 pontos percentuais negativos, principalmente como consequência de uma menor atividade de serragem e aplainamento de madeira.
Além disso, o relatório do INE indica que este setor completou seu terceiro mês consecutivo de retração, refletindo um cenário de menor dinamismo para uma das indústrias historicamente mais relevantes da região.
Papel também recua
A este cenário se soma a indústria do papel, outro dos pilares produtivos do Biobío. A fabricação de papel e produtos de papel diminuiu 6,7% em doze meses, contribuindo com uma incidência negativa de 2,703 pontos percentuais.
Segundo o relatório, a queda esteve associada principalmente a uma menor fabricação de pasta de madeira, papel e papelão, acumulando também três meses consecutivos de contração.
Peso estratégico
Os resultados voltam a confirmar a forte dependência que a atividade manufatureira regional mantém em relação ao complexo florestal. Apenas as indústrias da madeira e do papel explicam mais de seis pontos percentuais de incidência negativa sobre o índice regional, tornando-se o principal fator por trás da queda observada em maio.
Embora alguns setores tenham mostrado um desempenho favorável — como a elaboração de alimentos, a fabricação de equipamentos de transporte e a indústria química — seus aumentos não conseguiram compensar a deterioração registrada pelas atividades florestais. Esses três setores contribuíram juntos com 4,890 pontos percentuais positivos, insuficientes para reverter o resultado geral.
Os números ratificam que a evolução do setor florestal continua sendo determinante para o comportamento da economia manufatureira do Biobío. Quando diminui a produção de madeira, serrarias, celulose e papel, o impacto transcende toda a atividade industrial regional, refletindo o papel estratégico que essa cadeia produtiva mantém no desenvolvimento econômico do território.
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