Um investimento de $9.800 milhões buscará recuperar 4 mil hectares afetados por incêndios florestais no Biobío, onde o Governo Regional do Biobío (Gore) e a Corporação Nacional Florestal (Conaf) formalizaram um convênio de financiamento (Fndr) intitulado "Recuperação produtiva de florestas afetadas por incêndios".
A iniciativa prevê que os recursos serão administrados pela Conaf durante um prazo de 36 meses. O plano beneficiará entre 500 e 600 pequenos e médios proprietários rurais, além de projetar a criação de cerca de 5.000 empregos diretos.
O projeto responde, entre outros, aos alertas emitidos em sua oportunidade pela Associação de Contratistas Florestais (Acoforag) sobre a crise de emprego em um setor que sustenta cerca de 50 mil famílias na Região. A esse respeito, seu gerente, René Muñoz, já advertiu anteriormente sobre um "abandono do Estado em relação ao setor florestal", atribuindo-o a quase três décadas de insegurança na macrozona sul.
"A crise obedece a um abandono do Estado em relação ao setor florestal, não de um governo em particular. Pensemos que levamos quase 30 anos submetidos a um nível de violência e insegurança na macrozona sul que impede trabalhar, levantar novos projetos, investir e se desenvolver", destacou Muñoz em julho deste ano.
Fase executiva e mão de obra
Durante a cerimônia realizada nas dependências do Gore, a diretora executiva da Conaf, Aída Baldini, destacou que o programa combina o fomento produtivo com um forte impacto social, dirigido especialmente a pequenos produtores que não dispõem de recursos para recuperar seus terrenos por conta própria.
Por sua vez, o diretor regional da Conaf, Álvaro González, detalhou o cronograma de execução: "Vamos semear para começar as plantações no inverno de 2027. São três anos de administração e dois de plantação".
González enfatizou ainda a atomização dos terrenos: "Não se trata de um único lote massivo, mas de intervenções de 5, 10 ou 20 hectares. Este trabalho é realizado majoritariamente com diaristas e preparação de solo com maquinário, o que faz com que seja uma atividade altamente demandante de mão de obra direta para a região".
Da mesma forma, o diretor regional da Conaf destacou que "como são pequenas propriedades e médios proprietários que vamos beneficiar, calculamos que vamos beneficiar entre 500 e 600 proprietários e vamos contratar uma mão de obra ascendente a praticamente 5.000 pessoas de forma direta. Somos altamente demandantes de mão de obra em um momento em que nossa região precisa desse apoio".
Incentivo econômico e apelos à gestão parlamentar
O governador regional do Biobío, Sergio Giacaman, valorizou a relevância do setor na matriz produtiva local: "Pelo menos 15% do PIB regional provém do setor florestal, que sustenta mais de 30.000 empregos. Sem dúvida, é o principal motor econômico da nossa zona".
Da mesma forma, Giacaman abordou a necessidade de avançar em segurança e institucionalidade. Valorizou os avanços legislativos na tipificação do roubo de madeira e reconheceu o trabalho do Ministério Público Regional. Do mesmo modo, fez um apelo explícito aos parlamentares da zona para destravar o projeto de Lei de Incêndios Florestais: "Peço com carinho aos nossos parlamentares: vamos nos entender e terminar de legislar. Somos a região a quem mais dói esse tema".
Giacaman também manifestou sua preocupação com a disponibilidade de recursos para o combate a incêndios florestais na temporada de verão, e insinuou a possibilidade de articular o programa Proemprego para reduzir custos na limpeza e desobstrução de terrenos sinistrados.
"A outra coisa que precisa ser feita é que tenhamos orçamento associado para o combate aos incêndios florestais. Eu me preocupo, todos conhecemos o ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, me preocupa que este ano tenhamos menos dinheiro. Porque com dinheiro se apagam os incêndios. É preciso contratar aviões, brigadas... e se não houver dinheiro, vai dar errado e vão nos acontecer coisas piores do que as que vivemos neste verão", disse a autoridade regional.
Sobre o ajuste com o programa Proemprego, Giacaman adiantou que "eu conversei com o ministro do Interior, Claudio Alvarado, conversei na época com o ministro do Trabalho (Tomás Rau). Seria perfeito que os Proemprego alavancassem parte desse trabalho. Isso nos permitiria gastar menos recursos na limpeza dos terrenos e nos concentrar mais na plantação. Se conseguirmos isso, seria um gol de placa. No fundo, as pessoas que trabalham no Proemprego licitam os projetos a cada seis meses e poderia claramente se focar no tema associado da retirada dos escombros dos terrenos que foram sinistrados e isso reduziria consideravelmente os custos do projeto. Se isso pudesse ser feito, seria extraordinário".
Apoio dos sindicatos produtivos
Os sindicatos da zona valorizaram positivamente a assinatura do convênio. Alejandro Casagrande, presidente regional da Corporação Chilena da Madeira (Corma), classificou a medida como "uma notícia tremenda com impacto econômico, social e ecológico, focada em ajudar os pequenos vizinhos rurais a recuperar seu patrimônio".
Por sua vez, Víctor Sandoval, presidente regional da PymeMad (Biobío e Ñuble), destacou o respaldo estatal em um momento complexo para as pequenas e médias empresas: "Este projeto demonstra vontade de avançar e confirma que o setor florestal contribui de maneira significativa para a ruralidade. A criação de mão de obra intensiva é chave para fortalecer o emprego rural na atualidade".
Fonte:Diário Concepción
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