Embora o aviso de geadas emitido pela Direção Meteorológica do Chile (DMC) entre as madrugadas de domingo e segunda-feira para Biobío já tenha terminado, a sensação de frio continuará.

Tal Aviso Meteorológico previa temperaturas entre -3 °C e -1 °C no vale e na pré-cordilheira, junto com probabilidade de formação de geada durante ambas as jornadas. E, de fato, o episódio encerrou ontem com uma manhã fria em diversos pontos da região.

Mas aquela queda nas temperaturas não parece ser algo isolado. Da DMC explicaram que a entrada de uma massa de ar polar continuará afetando a região durante os próximos dias, com setores do vale que ainda poderiam registrar temperaturas abaixo de zero.

Paralelamente, segundo diferentes prognósticos, em setores de alta cordilheira as temperaturas poderiam descer inclusive abaixo de -10 °C.

O meteorologista da DMC, Alonso Guajardo, alertou que o frio poderia ser ainda maior ao nível da superfície, especialmente em setores onde a radiação solar não alcança diretamente.

"Essa massa polar chegou até a Região de Biobío e vai continuar afetando. Não só hoje, amanhã e depois continuamos com as temperaturas, e em alguns setores do vale ainda abaixo de zero", explicou.

A isso se soma a continuidade do Código Azul por temperaturas de 0 °C ou menos em Los Ángeles, medida que permanecerá ativa até quarta-feira e que prevê o deslocamento em campo para entregar agasalho, alimentação quente e encaminhamento a abrigos para pessoas em situação de rua.

Como se não bastasse, haverá nebulosidade parcial e chuvas em quase todas as comunas durante os próximos dias, embora longe da intensidade de frentes anteriores, como as de julho e início deste mês.

Isso sim, para sexta-feira espera-se um novo sistema frontal, embora com precipitações líquidas e sem neve nos setores de vale. Desse modo, as manhãs e noites continuam marcadas pela sensação de frio e ventos gelados, mantendo a necessidade de aquecimento.

Com o inverno ainda longe de terminar, somado à habitual e lenta transição climática nas primeiras semanas de primavera, o cenário coloca sob atenção uma pergunta mais cotidiana: há lenha e pellets suficientes para manter os aquecedores acesos?

Estoque de biomassa

O cenário dos pellets começou a se tensionar em diversos pontos do sul do país. Em Valdivia, por exemplo, grupos de moradores denunciaram durante o fim de semana dificuldades para encontrar o produto, enquanto nas últimas semanas consumidores também relataram problemas de disponibilidade em supermercados e distribuidoras, especialmente durante os períodos de maior demanda associados às baixas temperaturas.

A indústria, no entanto, descarta um desabastecimento nacional generalizado. Em recentes declarações ao El Mercurio, a gerente da Associação Chilena de Biomassa (AChbiom), Daniela Espinoza, minimizou tal percepção atribuindo-a especificamente a dificuldades logísticas, à sazonalidade do consumo e a desafios concretos em alguns pontos de distribuição.

Apesar do anterior, o cenário adquire uma dimensão particular em Biobío, principal polo produtor de pellets do país.

Consultada pelo Diario Concepción, a dirigente sindical e ex-secretária regional ministerial de Energia de Biobío reafirmou que, em termos gerais, as empresas da região estão operando e produzindo de acordo com o previsto para esta temporada.

Espinoza explicou que naturalmente "o desafio logístico se torna mais evidente durante as semanas de maior demanda", acrescentando que, enquanto a maior produção ocorre nas regiões de Maule, Biobío e La Araucanía, "os principais centros de consumo estão mais ao sul".

"Quanto mais afastados estão os pontos de consumo dos centros produtivos, maior é o esforço necessário para repor oportunamente os estoques", continuou, explicando que a Região de Los Lagos é a que "concentra cerca de 30% do consumo nacional".

Finalmente, sobre se as empresas de pellets tiveram que recorrer a matérias-primas provenientes de outras regiões diante de eventuais dificuldades de abastecimento em Biobío, Espinoza explicou que todas optam livremente com qual fornecedor trabalhar.

"Cada empresa conta com sua própria rede de abastecimento, definida de acordo com suas necessidades e capacidade produtiva, portanto a origem da matéria-prima pode estar dentro ou fora da região", encerrou.

Cadeia logística

Em meio às consultas sobre o abastecimento de biomassa para aquecimento durante o inverno, também se buscou saber como as últimas chuvas impactaram a cadeia florestal, particularmente quão bem ou mal posicionada ficou a indústria para assegurar o fornecimento de matérias-primas aos produtores e distribuidores do mercado atacadista e varejista de biomassa.

Da Corporação Chilena da Madeira (Corma), seu gerente geral, Antonio Minte, afirmou que as precipitações não tiveram uma incidência significativa na produção industrial de madeira ou na logística de fornecimento de biomassa de suas empresas associadas.

"Embora o inverno sempre imponha maiores desafios logísticos, a indústria permanece operativa e preparada para responder à demanda", afirmou.

Quanto aos pellets, Minte esclareceu que a contraparte técnica da Corma é a AChbiom, de onde — segundo indicou — lhes informaram que "suas empresas estão operando a plena capacidade, fazendo todos os esforços logísticos para chegar às famílias que optaram por este combustível".

Finalmente, em relação à lenha, o executivo esclareceu que embora a Corma não monitore diretamente esse mercado, "é urgente e necessário que se avance em sua fiscalização formal após a promulgação da Lei de Biocombustíveis Sólidos", de modo a assegurar "um padrão seguro, sustentável e de qualidade para a população".

Fonte:Diario Concepción

Compartilhar: