Após um verão anterior marcado por incêndios de grande magnitude na região, entre eles o megaincêndio de Penco-Lirquén e os sinistros que atingiram o Parque Nacional Nonguén, diferentes atores do sistema de prevenção e combate já preparam o próximo período de maior ocorrência.

As recentes chuvas, intensas e prolongadas, podem favorecer um maior acúmulo de vegetação e, com isso, uma maior disponibilidade de combustível fino durante o verão, além da presença do Super Niño. A isso se somam as lições deixadas pelos incêndios que afetaram a região e envolveram a Grande Concepción durante janeiro, evidenciando novamente a complexidade dessas emergências.

Por isso, a preparação para a temporada 2026-2027 já está em andamento. Enquanto as empresas florestais detalham parte de seus reforços e novas ferramentas para detectar e combater o fogo, a Corporação Nacional Florestal (Conaf) trabalha na definição do plano que estabelecerá as capacidades operacionais e a distribuição de recursos para o próximo período.

Seleção de brigadistas

Consultados pelo Diario Concepción, a Conaf informou que o processo de preparação para a temporada 2026-2027 já começou, com um de seus primeiros focos na contratação de brigadistas. Os candidatos devem passar por diferentes etapas de avaliação antes de sua incorporação e posterior capacitação.

"A Conaf já iniciou o processo de preparação para a próxima temporada de maior ocorrência de incêndios florestais", explicou o diretor regional da instituição, Álvaro González, que acrescentou que "as inscrições para integrar as brigadas florestais já estão abertas".

Quanto à capacidade operacional para a nova temporada, a Conaf ainda está definindo parte importante de seu desdobramento. "Atualmente, está sendo trabalhado na definição do Plano de Ação para a temporada 2026-2027, que estabelecerá as capacidades operacionais e a distribuição dos recursos de acordo com as necessidades e características do território", detalhou.

Por isso, a corporação ainda não está em condições de fornecer números definitivos sobre a quantidade de brigadas, aeronaves ou outros meios que estarão disponíveis durante o período de maior ocorrência.

O planejamento, explicou, "busca que o sistema possa detectar oportunamente os incêndios, realizar um primeiro ataque rápido e aumentar a resposta quando necessário", detalhando que os recursos poderão ser redistribuídos e reforçados conforme a evolução e magnitude de cada incêndio.

Agora, quanto ao nível de risco que o Biobío poderia enfrentar, ele afirmou que "neste momento, não corresponde antecipar um nível de risco específico para toda a temporada". No entanto, destacou que a preparação é desenvolvida considerando a exposição permanente da zona: "Biobío é uma região altamente exposta a incêndios florestais, por isso a CONAF trabalha sob um cenário permanente".

Nesse contexto, busca-se fortalecer tanto as ações preventivas quanto as capacidades de resposta diante de diferentes cenários, especialmente frente a incêndios que possam exigir um aumento progressivo dos recursos disponíveis.

Reforço no setor privado

Enquanto o desdobramento público é definido, as principais empresas florestais que operam no Biobío já antecipam parte dos recursos e tecnologias que utilizarão para enfrentar os incêndios. Na empresa Arauco, um dos principais focos será melhorar a detecção precoce e reduzir os tempos de resposta.

Em diálogo com este meio, o subgerente de Prevenção e Proteção de Incêndios da Arauco, Ramón Figueroa, explicou que a empresa trabalha há quase uma década com 160 câmeras robotizadas com inteligência artificial, mas que nesta temporada incorporará uma nova tecnologia para melhorar sua precisão.

"Estamos trazendo e vamos testar câmeras multiespectrais, que possuem sensores ópticos e térmicos, e isso vai permitir reduzir os falsos positivos", afirmou, relatando também que tais câmeras permitirão melhorar a detecção durante a noite, particularmente de pontos quentes. A tecnologia será testada nesta temporada junto a duas empresas.

A essa capacidade se soma um desdobramento de mais de 130 brigadas, das quais aproximadamente um terço corresponde a brigadas noturnas, além de maquinário para o combate a incêndios de maior magnitude.

Mas um dos principais reforços anunciados pela empresa Arauco estará no componente aéreo. Figueroa confirmou a incorporação de quatro helicópteros Black Hawk semipesados, de origem americana, com capacidade para transportar e lançar até 8.000 litros de água, que se somarão ao dispositivo de combate da companhia.

O executivo estimou em aproximadamente US$ 60 milhões o programa da florestal para prevenção e combate a incêndios. O valor considera as brigadas, sistemas de detecção e despacho, pistas, helipontos e outras capacidades desdobradas pela empresa.

Dentro dessa infraestrutura também existem 1.800 fontes de água distribuídas em seu patrimônio, que devem ser mantidas e abastecidas anualmente para facilitar principalmente as operações dos helicópteros.

Resposta precoce e ocupação proativa

Para a CMPC, por sua vez, seu planejamento tem como objetivo reduzir os tempos de resposta e antecipar os dias de maior complexidade.

Em declarações ao Diario Concepción, o subgerente de Análise e Planejamento de Proteção da CMPC, Cristian Obreque, explicou que a companhia está trabalhando em um plano de prevenção baseado em "ocupação ativa e proativa" do território durante os dias e horários mais complexos.

"Prevê-se uma temporada mais complexa em relação à condição meteorológica", afirmou, detalhando que o novo esquema busca focar os recursos para "ser capaz de chegar em um tempo muito reduzido, atender qualquer situação que apareça antes dos 60 minutos".

Apesar do método, Obreque ressaltou que o desdobramento deve ser compatibilizado com a segurança e "a proteção dos brigadistas dentro das operações".

Em termos tecnológicos, a CMPC hoje mantém câmeras que permitem detectar qualquer incêndio que ocorra entre 70% e 80% de seu patrimônio, ao que se somarão IA e "drones que tenham capacidade de verificação de focos prematuros de dia e de noite".

A isso se soma o trabalho aéreo por meio de aeronaves capazes de lançar água retardante, além de brigadas transportadas que permitem mobilizar pessoal rapidamente dentro das regiões onde a CMPC possui patrimônio.

Além disso, possuem equipes mecanizadas para o combate a incêndios, tanto em operações florestais quanto por meio de unidades especializadas.

Obreque explicou que estes últimos foram treinados e certificados para desenvolver operações mecanizadas tanto de dia quanto de noite, complementando a resposta terrestre e aérea.

Expansão do modelo comunitário

Voltando à estratégia da empresa Arauco, ela também busca ampliar seu programa de trabalho preventivo com as comunidades por meio da Rede de Prevenção Comunitária.

Figueroa adiantou que a companhia pretende estender esse modelo a cerca de 25 comunas do Biobío, Ñuble, Los Ríos e Los Lagos. No caso do Biobío, mencionou preliminarmente Penco, Hualqui, Florida e Los Álamos, entre outras comunas que estão em avaliação.

A experiência usada como referência foi um piloto desenvolvido durante o ano passado em cinco municípios do Maule. Segundo o executivo, a intervenção permitiu reduzir em 30% a ocorrência de incêndios nessas comunas. "O sistema já funciona e está comprovado", afirmou.

Para finalizar, explicou que o objetivo é evitar que um foco inicial escale rapidamente, expressando que o que se busca "é que os incêndios, no momento de detectá-los, não cresçam e possamos combatê-los de maneira rápida e que fiquem como estatística, como um princípio de incêndio, e não se transformem em um grande incêndio (...). O melhor incêndio é aquele que não ocorre".

Fonte:Diario Concepción

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