A busca por evidências científicas por trás do bem-estar relatado em práticas como banhos de floresta –shinrin yoku japonês- e outras formas de conexão com a natureza é o foco de interesse do grupo de pesquisa e ensino Florestas e Saúde, criado recentemente na Universidade de Concepción.
A iniciativa não busca apenas conhecer os reais efeitos da exposição a ambientes naturais na saúde das pessoas, mas também aprofundar os elementos específicos que os produzem, os mecanismos envolvidos e por quanto tempo seus benefícios se estendem.
O decano da Faculdade de Ciências Florestais, Eugenio Sanfuentes von Stowasser, um dos impulsionadores da iniciativa, explicou que a ideia é contribuir, a partir de uma perspectiva interdisciplinar, para a compreensão do vínculo entre ambientes naturais e saúde humana em suas diferentes dimensões, respondendo às perguntas científicas por trás dessa relação.
Pesquisadores das faculdades de Ciências Florestais, Medicina, Ciências Biológicas e Farmácia fazem parte deste projeto que, além de desenvolver pesquisa, espera impactar o ensino de graduação e pós-graduação.
O acadêmico comentou que, a partir deste trabalho, vislumbram-se oportunidades de formação, como cursos complementares ou eletivos, e até o desenvolvimento de algum tipo de menor (minor) no futuro.
Também foram pensadas ações de vinculação, entre as quais se destaca um seminário sobre madeira e saúde, projetado para março de 2027.
“Contaremos com um especialista norueguês que virá falar sobre experiências realizadas na Europa sobre o uso da madeira em dependências clínicas e que teve medições no impacto benéfico para as pessoas”, adiantou o decano.
Impactos positivos
As pesquisas sobre a relação entre floresta, meio ambiente e saúde cresceram na última década, com resultados que evidenciam impactos positivos em nível físico e psicológico.
O acadêmico de Ciências Florestais, Rodrigo Hasbún Zaror, que colaborará na avaliação dos compostos liberados pelas árvores e sua relação com a biodiversidade da floresta, citou como exemplo o que ocorreu com o shinrin yoku. Estudos demonstraram efeitos sobre o bem-estar psicológico, a percepção de estresse e o relaxamento, além de algumas respostas do sistema nervoso autônomo e neuroendócrino, bem como mudanças em alguns parâmetros imunológicos.
«No entanto, esses resultados devem ser interpretados com cautela. Porque uma redução transitória do cortisol ou de indicadores de estresse não significa que uma floresta previne ou trata uma doença”, disse.
Por isso a importância de conhecer as evidências científicas, a partir de hipóteses que possam ser testadas e responder perguntas sobre os efeitos mensuráveis no organismo, como são gerados e qual alcance têm, entre outras; mas também que tipos de ambientes ou compostos têm impacto na saúde.
Isso implica integrar disciplinas que tradicionalmente estudaram separadamente os ecossistemas e a saúde humana, um desafio que o novo grupo universitário aborda.
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