O setor rural da província de Biobío enfrenta um aumento sustentado nos crimes de roubo e furto que, apesar das conversas e mesas de trabalho com autoridades do Governo e das polícias, continuam ocorrendo em completa impunidade.

É por isso que, com o apoio da consultoria Leadetik —liderada pelo especialista em segurança cidadã, Jorge Contreras Blümel—, buscar-se-á desenvolver o Observatório de Crimes Rurais Socabio, que reunirá evidências para determinar com exatidão qual é a frequência, a quantia, a situação real e em quais setores ou quais comunas da província de Biobío ocorrem os crimes rurais.

Contreras Blümel acrescentou que esta iniciativa possui grande importância, dado que permitirá trabalhar posteriormente em melhores políticas públicas e melhores estratégias que ajudem a combater a delinquência, uma vez que a situação não é visível a nível público, apesar da gravidade da situação.

CRÍTICA AO ABANDONO DO MUNDO RURAL

O especialista em segurança cidadã criticou que o foco em temas de crime organizado e microtráfico tem se centrado exclusivamente nos setores urbanos, deixando totalmente abandonado o mundo rural.

"Todos os dias temos um incidente, seja de abigeato ou de furto de insumos agroquímicos ou cobre, que são os três principais crimes que temos hoje na zona e que afetam de maneira muito substancial a produção e o desenvolvimento da atividade agrícola em nossa província", afirmou Jorge Contreras Blümel.

FALTA DE POLÍTICAS PÚBLICAS

Da Sociedade Agrícola de Biobío (Socabio) ratificaram o diagnóstico anterior e lamentaram que, apesar de todas as conversas com autoridades do Governo, Carabineiros e a Polícia de Investigações, continuem ocorrendo os crimes.

O presidente da entidade sindical, José Miguel Stegmeier, manifestou sentir falta de políticas públicas "mais potentes" no âmbito da segurança rural.

"Daí justamente nasceu a ideia do observatório que estamos encomendando como Socabio. Nós somos os que vamos mantê-lo vigente e, a partir de hoje, estamos trabalhando a respeito com uma empresa em particular que nos prestará o serviço", indicou.

O dirigente explicou que a ideia é levantar toda a informação dos crimes rurais, independente de sua natureza.

Para cumprir com o objetivo, acrescentou, existe uma rede de agricultores comprometidos com o levantamento da informação.

SITUAÇÃO E DENÚNCIAS

O presidente da Socabio reconheceu que, em várias oportunidades, os afetados falham ao não realizar suas denúncias, o que limita a informação disponível.

"O mais importante é fazer um acompanhamento, seja no Ministério Público ou nos tribunais, a respeito de como está funcionando toda a parte investigativa e judicial. Esse é o foco na realidade que tem o observatório", manifestou Stegmeier.

Consultado a respeito da gravidade da situação criminal no setor rural, José Miguel Stegmeier pontuou que os crimes crescem ano a ano.

"Nós estamos hoje com uma situação muito complexa, seja a nível de agricultores ou de habitantes do mundo rural, com quatro ou cinco crimes muito relevantes", indicou o líder sindical.

A respeito da tipologia criminal, assinalou que o abigeato afeta sobretudo a zona de Mulchén. Em frequência, seguem-se os roubos de insumos, onde existe uma cadeia que distribui posteriormente os produtos subtraídos.

Para a Socabio resulta fundamental gerar inteligência policial para detectar quem são os autores materiais dos roubos e, por suposto, quem está encomendando os crimes.

EXPECTATIVAS COM O NOVO GOVERNO

Consultados a respeito das expectativas frente à chegada do novo governo, José Miguel Stegmeier indicou que existe a esperança de reverter a situação. O anterior, já que um dos compromissos mais importantes que assumiu o Presidente eleito, José Antonio Kast, guarda relação com a segurança.

"Eu creio que, em grande medida, o novo governo ganhou a eleição justamente com esse argumento. Então, por suposto que a segurança é fundamental e não deve ser somente um tema urbano", enfatizou Stegmeier.

OBSERVATÓRIO EM DUAS ETAPAS

O Observatório de Crimes Rurais encontra-se em sua primeira etapa de implementação, que busca conhecer a realidade que enfrenta o setor e os crimes de maior impacto.

A segunda etapa começará em março, quando se começará a entregar mensalmente uma análise com os dados levantados e se iniciarão as visitas a campo e exposições sobre segurança.

Fonte:La Tribuna

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