Em visita aos Estaleiros e Arsenais da Marinha (Asmar), em Talcahuano, a ministra da Defesa, Adriana del Piano, expôs a possibilidade de desescalar o estado de exceção constitucional que vigora na macrorregião sul desde 2021. Embora a secretária de Estado tenha indicado que a medida contemplaria "algumas" comunas e que sua aplicação deve ser analisada junto com as autoridades e os chefes da Defesa Nacional, os sindicatos florestais e madeireiros rejeitaram completamente a proposta.
Da Associação de Contratistas Florestais (Acoforag), seu gerente, René Muñoz, afirmou que enquanto o Estado não tiver a vontade de perseguir os autores dos atos de violência, não é aconselhável retroceder o estado de exceção constitucional. Pelo contrário, o dirigente pediu para reforçar as ações por meio das Regras de Uso da Força (RUF) e da Lei de Infraestrutura Crítica. "Depois de 12 anos submersos neste ambiente de violência, nós, contratistas florestais, acreditamos que essa desescalada não é recomendável, com base no que temos sofrido todos estes anos", questionou.
Para Muñoz, somente depois que for reforçado e encontrados os autores dos atentados, é que se poderia começar a falar em uma retirada progressiva. "A ministra não sofre o que os contratistas e os trabalhadores florestais têm sofrido", acusou.
O gerente da Acoforag assegurou que as estatísticas podem ser "um pouco mentirosas" dada a contração das atividades econômicas. "Quando se fala que em Arauco a violência foi reduzida, acontece que metade da província não tem trabalho florestal e não há máquinas para queimar", justificou. Pelo contrário, Muñoz recomendou ler as estatísticas com um olhar crítico e consultar as pessoas adequadas sobre o que está acontecendo. Cabe destacar que o estado de exceção constitucional na macrorregião sul do Chile foi oficialmente instaurado em 2021, com decretos que começaram no final de outubro e que afetaram as províncias de Malleco, Cautín, Arauco e Biobío para controlar a violência. Durante o período atual, as prorrogações datam desde maio de 2022.
RISCO DE MAIS MORTES
Para a Federação Nacional dos Sindicatos do Transporte Florestal (Fenasitransfor), o estado de exceção deve ser mantido nas condições atuais, pelo risco de que ocorram mais mortes de motoristas e trabalhadores florestais. Seu presidente, Heriberto López, assegurou que o cenário de controles e vigilância permitiu desarticular grupos que nada têm a ver com os moradores da área e que, de alguma forma, conseguiram criminalizar ainda mais a luta territorial do povo mapuche.
"Tem gerado muita confusão e desconfiança entre nós, trabalhadores florestais e sindicatos do transporte, o fato de que se condene altos oficiais da Polícia Militar (Carabineros) e civis por montagens na denominada Operação Furacão. Isso quer dizer que nunca se considerou o verdadeiro perigo que os trabalhadores corriam, já que essas ações puderam e poderiam hoje desencadear o derramamento de sangue de mais pessoas", afirmou. Diante da situação, o dirigente fez um chamado tanto ao Governo quanto ao Poder Judiciário para reconsiderarem suas políticas de perseguição e encarceramento dos líderes do povo mapuche e para iniciarem, de uma vez por todas, um processo de reencontro e paz entre a nação mapuche e o Estado.
DECISÃO PREMATURA
O presidente da Corporação Chilena da Madeira (Corma) na Araucanía, Los Ríos e Los Lagos, Antonio Soto, ressaltou que a decisão seria "muito precipitada", já que ainda são registrados ataques incendiários com claras intenções.
Na opinião do representante, o estado de exceção tem sido uma ferramenta eficaz para diminuir os atos de violência na macrorregião sul. No entanto, indicou que é "lamentável" que a violência continue latente, com claros atos de intencionalidade nos incêndios.
"A proteção dos recursos aéreos e terrestres continua sendo vital para a região, já que ainda existem zonas onde não é possível realizar operações florestais com normalidade", apontou.
Soto detalhou que a situação não afeta apenas o setor florestal, mas impacta transversalmente todos os setores produtivos como a agricultura, a salmonicultura, a construção, o transporte, o turismo, o comércio e também serviços essenciais como a saúde rural e outras instituições públicas.
Fonte:La Tribuna
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