Transformar as capacidades produtivas, o conhecimento e os recursos presentes em Ñuble em novas oportunidades de desenvolvimento constitui um dos desafios abordados pelo projeto FIC "Industrialização da Habitação em Madeira para a Região de Ñuble", iniciativa que busca fortalecer as competências das pequenas e médias empresas e favorecer sua incorporação a cadeias de valor vinculadas à construção industrializada.
Neste contexto, foi desenvolvido o seminário "Encadeamento produtivo e inovação para a construção industrializada: O papel estratégico das PMEs na cadeia de valor", instância que permitiu compartilhar experiências empresariais, requisitos técnicos, padrões de qualidade e perspectivas para uma maior articulação produtiva.
O reitor da Universidade do Bío-Bío, Dr. Benito Umaña Hermosilla, destacou que a iniciativa dá continuidade a uma trajetória institucional em áreas onde a UBB possui capacidades acadêmicas, científicas e tecnológicas que coloca ao serviço das regiões e do país. Além disso, agradeceu a confiança do Governo Regional de Ñuble e enfatizou a necessidade de projetar uma agenda de trabalho de curto, médio e longo prazo. "O que nos falta hoje é maior inovação, maior desenvolvimento, e isso se faz com alianças", sinalizou o reitor, relevando a articulação entre setor público, setor privado, universidade e comunidade. Acrescentou que a industrialização da madeira constitui um âmbito de longa trajetória para a UBB e com um significativo potencial de desenvolvimento.
Na mesma perspectiva, a pró-reitora Dra. Carolina Flores Lueg destacou que a missão de uma universidade estatal, pública e birregional adquire pleno sentido quando o conhecimento se vincula às necessidades, capacidades e aspirações dos territórios. "Abordar a construção industrializada, a inovação e os encadeamentos produtivos implica transcender a dimensão tecnológica para se perguntar como as capacidades existentes em Ñuble podem se converter em novas oportunidades de desenvolvimento. Por isso, nossa Universidade busca assumir um papel ativo neste processo, colocando suas capacidades acadêmicas, científicas e tecnológicas ao serviço da região, a partir de uma relação de colaboração e aprendizagem mútua com quem conhece diretamente seus desafios produtivos".
PMEs como protagonistas da cadeia de valor
O diretor do projeto, Dr. Carlos Rozas Mellado, acadêmico da Faculdade de Engenharia, explicou que um de seus propósitos fundamentais é fortalecer as competências das pequenas e médias empresas para que possam se integrar efetivamente à cadeia de valor da construção industrializada. Neste sentido, precisou que o seminário buscou mostrar as condições e padrões que as PMEs devem alcançar para se tornarem fornecedoras de empresas dedicadas, por exemplo, à fabricação de painéis e tesouras. Entre os fatores relevantes mencionou a qualidade da madeira, teor de umidade, espessura e redução da variabilidade do produto. "Buscamos que as empresas que assistiram ao seminário pudessem entender quais são os requisitos que exigem aqueles que vão comprar sua matéria-prima, para que possam ser futuros fornecedores", explicou.
Carolina Rodríguez, profissional do Governo Regional de Ñuble e contraparte do programa, valorizou o interesse das empresas em continuar fortalecendo suas capacidades, destacando a participação de assistentes que também haviam feito parte de anteriores atividades de capacitação. Além disso, relevou a importância de gerar espaços de encontro entre setor público, academia e empresas, onde as PMEs cumprem um papel fundamental.
Qualidade, integração precoce e inovação
A jornada também permitiu conhecer experiências empresariais que evidenciam os requisitos técnicos e organizacionais necessários para avançar rumo a uma maior industrialização.
Guillermo Salgado, da Timber, Engenharia e Construção em Madeira, abordou os desafios associados a estruturas de madeira de grande escala, destacando a importância do controle de qualidade, a segurança, funcionalidade e vida útil dos projetos. Expôs ainda aspectos relacionados com sistemas de conexão e envolventes térmicas e relevou as recentes atualizações da normativa nacional em âmbitos como o comportamento sísmico e as exigências térmicas, avanços que permitiriam elevar os padrões das construções em madeira desenvolvidas no Chile.
Por sua vez, o diretor-geral da IDV Industrializadora de Habitações Chile Ltda., Juan Carlos Ortigosa, explicou que a empresa avançou rumo à industrialização frente a desafios como a disponibilidade de mão de obra em setores rurais e a necessidade de otimizar custos e processos. Entre suas fortalezas destacou a rastreabilidade dos materiais, padronização, controle permanente de qualidade e a incorporação de especialidades elétricas e sanitárias durante a fabricação.
Ortigosa enfatizou que ampliar a construção industrializada supõe ir além da aquisição de componentes pré-fabricados e avançar rumo a uma integração precoce de toda a cadeia, desde o design do projeto, incorporando ferramentas como BIM, sistemas de coordenação e inteligência artificial.
Potencial madeireiro de Ñuble
Do setor produtivo, Lorena Vargas Reyes, diretora-geral da Guivar Transforma e vice-presidente nacional da PymeMad, destacou que as experiências apresentadas permitem visualizar tanto os desafios como as oportunidades existentes para impulsionar a construção industrializada em madeira.
Vargas enfatizou o potencial de Ñuble, considerando a diversidade e qualidade de sua oferta madeireira e a presença de empresas de diferentes escalas. Indicou que a PymeMad reúne cerca de 100 empresas em nível nacional, aproximadamente 25 delas em Ñuble, e sustentou que a região pode se constituir em um importante espaço de desenvolvimento para uma construção industrializada que combine eficiência e sustentabilidade.
Durante a jornada também expuseram Tobías Ott, diretor-geral da Patagual Home, que se referiu à qualidade da madeira, critérios e desafios dos fornecedores; e Luciano Zatti, diretor e sócio fundador do grupo Mademape do Brasil, que abordou o design colaborativo e os desafios na construção industrializada modular.
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