Em meio à emergência gerada pelos incêndios florestais que afetaram Biobío e Ñuble, a equipe de resgatistas provenientes do Brasil dedicou um tempo para capacitar voluntários do Centro de Reabilitação e Educação de Fauna Silvestre da Universidade de Concepción, Andes-UdeC, a fim de enfrentar melhor as emergências naturais.

Por serem uma verdadeira primeira linha de proteção da fauna, os especialistas brasileiros demonstraram que se trata de uma disciplina de alta especialização técnica, por isso quiseram transmitir alguns de seus conhecimentos aos voluntários do Crefs Andes-UdeC, não sem antes destacar que eles estiveram ativos nos últimos sinistros ocorridos no Chile.

"Estamos aqui no Chile pelo terceiro ano, viemos desde 2022, para os incêndios de Concepción, Tomé e Coronel, em 2023 viemos apoiar no incêndio de Valparaíso e agora retornamos a esta zona para fazer nosso trabalho. Sempre que viemos, o que nos surpreende é que somos muito bem recebidos por todas as pessoas. Uma coisa que nos impressiona como brasileiros é que em todos os lugares onde estivemos sempre nos dizem 'Força Chile' e as pessoas que perderam suas casas têm a bandeira erguida e estão com vontade de seguir em frente. E assim como apoiamos as pessoas, também cuidamos dos animais, porque eles não têm nacionalidade e acreditamos que todos os animais do mundo merecem nosso trabalho, serem resgatados e acolhidos".

O grupo de profissionais opera sob rigorosos protocolos veterinários de contenção de fauna silvestre e logística de evacuação em condições extremas. Seu profissionalismo se manifesta na capacidade de manter a calma cirúrgica onde outros veem caos, executando manobras de resgate que exigem um conhecimento profundo do comportamento animal sob estresse e uma coordenação milimétrica com os serviços de emergência humana.

Este trabalho foi destacado pela diretora do Centro de Reabilitação, Dra. Paula Aravena Bustos, que também ressaltou as gestões realizadas pelo Colégio Médico Veterinário do Chile, Colmevet, para concretizar a chegada dos resgatistas às áreas afetadas pelos incêndios.

"Como Universidade, nosso papel transcende as salas de aula. É fundamental oferecer aos estudantes oportunidades que expandam seu horizonte formativo, especialmente em uma área tão crítica como a fauna silvestre. Nesta capacitação, não apenas fortalecemos suas competências clínicas e técnicas de resgate em ambientes complexos, mas também potencializamos sua empatia e habilidades interpessoais. Ao integrar aspectos acadêmicos, técnicos e psicológicos, garantimos uma preparação integral que os define como profissionais e seres humanos", destacou.

Por sua vez, a estagiária da Faculdade de Ciências Veterinárias da UdeC, Mireya Ferrada, que participou da jornada de capacitação, ressaltou a importância de atualizar conhecimentos em contextos de emergência. "Pareceu-me uma boa oportunidade para ver outras realidades, para atuar nesses cenários de emergência onde é preciso tomar decisões rapidamente".

Quem também participou da jornada foi a voluntária Francisca Espinoza, que acrescentou: "Excelente a oportunidade que foi gerada, dada a contingência que finalmente se torna recorrente todos os verões, então muito grata pela capacitação, onde me surpreendeu que todo o equipamento que utilizavam, que além disso eram muito compactos, são extremamente importantes para o atendimento pré-hospitalar dos pacientes afetados".

Finalmente, durante a capacitação destacou-se o papel crítico entre a tragédia ambiental e a preservação da vida, demonstrando que a eficiência operacional e a empatia podem, e devem, trabalhar em sintonia.

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