A Subsecretaria do Meio Ambiente retirou no dia 12 deste mês 43 decretos da Controladoria para realizar "revisões". Na quinta-feira, o órgão fiscalizador aprovou o documento que habilita o Plano Recoge (Recuperação, Conservação e Gestão de Espécies) para a rãzinha de Darwin. As duas espécies deste anfíbio registram estado de ameaça.

Um destes anfíbios corresponde à espécie Rhinoderma darwinii, que habita os bosques temperados do Chile e da Argentina, incluindo Chiloé. No final de 2024, o pesquisador Andrés Valenzuela reportou que 1.362 indivíduos do Parque Tantauco, na comuna de Quellón, morreram devido a um surto do fungo quitrídio (Batrachochytrium dendrobatidis). O microorganismo representa uma ameaça mundial para os anfíbios.

Francisca Toledo, ministra do Meio Ambiente (MMA), declarou: "Após uma exaustiva revisão deste instrumento, reingressamos na Controladoria o decreto do Plano de Recuperação, Conservação e Gestão (Recoge) das rãzinhas de Darwin, instrumento que já tem toma de razão por este órgão. Esta é uma medida chave para proteger estas espécies únicas da biodiversidade chilena, mas que estão em estado de 'perigo' e 'perigo crítico', respectivamente, devido à perda de seu habitat, e pelos impactos das mudanças climáticas".

Redescobrir a população

A pasta informou que o objetivo do plano consiste em redescobrir uma população viável da rãzinha de Darwin do norte ou sapinho vaqueiro (Rhinoderma rufum), e ampliar a área de ocupação da rãzinha de Darwin do sul (R. darwinii) para melhorar seu estado de conservação. O documento propõe 11 linhas de ação focadas na proteção de sítios reprodutivos, restauração ecológica, educação ambiental e fortalecimento institucional.

A administração do Parque Tantauco valorizou a aprovação do Plano Recoge. A reserva privada qualificou a medida como um "instrumento chave" e indicou que a instituição fez parte do processo, "trabalhando de maneira colaborativa com diversas instituições para avançar em sua recuperação e conservação".

O administrador do recinto, Alan Bannister, acrescentou: "Esta é um sinal concreta a favor de uma espécie emblemática de nossos bosques norpatagônicos, hoje ameaçada pelo fungo quitrídio. Esperamos que este plano continue impulsionando ações efetivas para sua proteção e reprodução, e que a conservação de espécies em perigo siga sendo uma prioridade para o país".

A organização não governamental Ranita de Darwin resgatou 53 exemplares do Parque Tantauco em 2024. Os pesquisadores trasladaram os indivíduos até a Sociedade Zoológica de Londres, no Reino Unido, para protegê-los e estudá-los. A entidade destacou a toma de razão por parte da Controladoria e assegurou que a própria ONG apresentou o rascunho do Plano Recoge, após um processo colaborativo multissetorial iniciado há 10 anos.

Andrés Valenzuela, presidente da ONG Ranita de Darwin, comentou: "As rãzinhas de Darwin se tornaram muito mais que um objeto de estudo científico. São uma espécie bandeira: sua imagem, sua história e a peculiaridade de sua reprodução conseguiram despertar um interesse a nível nacional e internacional pela proteção dos bosques nativos do Chile e da Argentina".

União de mundos

O também líder do Comitê de Governança da Estratégia Binacional de Conservação das Rãzinhas de Darwin acrescentou: "Essa capacidade de convocar a comunidade, de unir diferentes mundos, desde cientistas a empresas florestais, e desde agências governamentais a ONGs, é o que faz das rãzinhas de Darwin uma aliada fundamental na conservação da natureza em nosso país".

O movimento Defendamos Patagonia, antes chamado Defendamos Chiloé, publicou em suas redes sociais: "Grande vitória cidadã! A pressão massiva de milhões de pessoas, organizações ambientais, cientistas e comunidades costeiras obrigou o governo de Kast a recuar: o decreto que protegia a rãzinha de Darwin foi aprovado na Controladoria. A rãzinha continuará a salvo!".

Fonte:Soychile.cl

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