Três atos de violência foram perpetrados durante a quinta-feira em La Araucanía. Dois dos episódios foram registrados em Ercilla e o terceiro, em Collipulli.

A série de ataques foi caracterizada pelo roubo com intimidação de veículos por parte de encapuzados que portavam armas. Em um dos casos, além disso, concretizou-se a queima de uma caminhonete.

Há um mês e quatro dias do ataque que, em 12 de março, destruiu um gerador elétrico em Alto Biobío, na zona serrana da Região de Biobío, desta vez os episódios de força foram perpetrados no contexto do debate sobre a redução do estado de exceção na macrorregião sul, que tem sido discutida pelo ministro da Defesa, Fernando Barros.

De fato, no meio da semana, ao visitar as comissões de Defesa da Câmara dos Deputados e do Senado, o secretário de Estado sustentou que "sabemos que há inquietação" e reiterou que "não é natural que as Forças Armadas estejam quatro anos encarregadas do controle da ordem pública", aludindo ao fato de que, em 17 de maio, a disposição constitucional completará 48 meses de vigência ininterrupta.

Da mesma forma, expôs que sua pasta não vai solucionar o problema da violência no sul e que o debate sobre a presença militar deve ser abordado em uma sessão secreta.

Segundo relatórios policiais, a primeira das ações se concretizou na zona rural de Ercilla. Lá, encapuzados armados roubaram uma caminhonete. Na mesma comuna, no setor de Chacaico, trabalhadores que consertavam estradas foram interceptados e intimidados com armas.

O terceiro episódio da violenta jornada ocorreu no quilômetro 14 da Rota R-49, em Collipulli. Lá, um veículo com três encapuzados interceptou uma caminhonete na qual viajavam duas pessoas. Depois de ameaçá-las, incendiaram o transporte.

Reunião com ministro

A respeito deste recrudescimento da violência, a Multigremial de La Araucanía sustentou que os atentados "reativaram o alerta e reforçaram o aviso sobre um eventual enfraquecimento das medidas de segurança".

O presidente da organização, Patricio Santibáñez, adiantou que solicitará ao ministro Barros uma reunião para expressar-lhe a oposição das vítimas e dos sindicatos a um eventual retiro da presença militar. "O país tem que entender que isto não está resolvido", disse, e recalcou que "isso demonstra que os grupos continuam operando e que não existe uma desarticulação real".

Gloria Naveillán, deputada do Partido Nacional Libertário, repudiou os fatos e interpelou o Executivo. "O que está fazendo o Governo com a agenda de segurança? Por que não quer opinar? Querem diminuir o perfil para eliminar o estado de exceção?".

Por sua vez, a deputada PPD Andrea Parra lamentou que "o Governo nem sequer tenha entrado em contato com as vítimas, apesar de que a segurança seria sua prioridade número um".

Fonte:El Mercurio

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