Por Ignacio Vera Izquierdo, gerente geral da Forestal Santa Blanca
O setor florestal chileno tem demonstrado ser um pilar de resiliência, enfrentando desafios que têm testado nossa capacidade operacional e financeira. Durante as últimas temporadas de verão, a destruição causada pelos incêndios florestais afetou centenas de milhares de hectares, um impacto que ainda é sentido na infraestrutura e na disponibilidade de recursos de muitas comunidades. A isto somou-se um fator estrutural de pressão: a incerteza energética provocada pela alta do petróleo, que encarece diretamente o transporte desde as frentes de trabalho até os portos e os processos industriais chave, como a secagem.
Neste cenário, o Plano de Reconstrução apresentado pelo Executivo surge como uma ferramenta fundamental para as pequenas e médias empresas (PMEs) do ramo. O setor florestal apresenta uma alta concentração, onde os pequenos atores costumam enfrentar maiores dificuldades para acessar matéria-prima ou competir em mercados internacionais. Por isso, as medidas transversais deste plano têm o potencial de atuar como um motor de reativação necessário para equilibrar a balança.
Um dos pontos mais relevantes é a ampliação do Fundo de Emergência por Incêndios para as regiões de Ñuble e Biobío, com um financiamento de até US$ 1,2 bilhão. Dado que estas zonas concentram uma grande quantidade de PMEs madeireiras, a injeção destes recursos é vital para a reparação da infraestrutura e a continuidade das zonas produtivas.
Da mesma forma, o alívio no Regime PME — que propõe uma taxa de 12,5% do imposto de Primeira Categoria para 2026 e 2027 — e o estabelecimento de créditos tributários para o emprego são sinais potentes. Estas medidas permitem reduzir os custos de contratação e fortalecem o caixa das empresas num momento em que as margens têm se estreitado perigosamente.
Finalmente, não podemos deixar de valorizar o esforço para desbloquear a chamada "permissologia". A reforma que reduz os prazos para invalidar permissos já concedidos, passando de dois anos para apenas seis meses, oferece uma certeza jurídica indispensável. Para uma PME, a burocracia costuma ser uma barreira intransponível; agilizar estes processos garante que os investimentos de menor escala sejam executados de maneira previsível e sem atrasos que ponham em risco sua viabilidade.
A reconstrução do nosso setor não passa apenas por recuperar o perdido no fogo, mas por fortalecer o modelo de negócio frente a ciclos de custos exigentes. Com o apoio adequado e regras claras, as PMEs florestais continuarão sendo um ator estratégico para o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade dos territórios mais vulneráveis do nosso país.
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