Uma pesquisa da Universidade de Concepción evidenciou o potencial dos sistemas silvipastoris para recuperar solos degradados e aumentar a captura de carbono, posicionando-os como uma ferramenta chave para a restauração de florestas nativas no Chile.

O estudo, publicado na revista Agronomy, analisou solos com manejo agroflorestal —que combina árvores, pastoreio e cultivos— e os comparou com áreas sem intervenção. Os resultados mostraram que os primeiros apresentam maior atividade biológica, juntamente com níveis mais altos de carbono e nitrogênio, elementos fundamentais para a fertilidade e resiliência do solo.

A pesquisa foi desenvolvida pela doutora Camila Ramos Carrera, sob a orientação dos acadêmicos Erick Zagal Venegas e Francis Dube, na propriedade Ranchillo Alto, localizada na pré-cordilheira de Yungay, onde durante mais de uma década foram implementadas práticas de restauração em floresta nativa.

Entre as principais descobertas destaca-se uma maior presença de carbono estável nos solos tratados, incluindo frações resistentes à degradação que podem permanecer armazenadas por longos períodos. Este aspecto é especialmente relevante diante das mudanças climáticas, pois contribui para reduzir a concentração de CO₂ na atmosfera.

Da mesma forma, o estudo confirma que estes sistemas permitem compatibilizar a produção pecuária com a conservação da floresta, melhorando a qualidade do solo e diversificando o uso produtivo do território.

Os resultados fornecem evidências locais para a tomada de decisões em políticas de manejo florestal e restauração ecológica, e reforçam o valor dos sistemas silvipastoris como uma alternativa sustentável e replicável em diferentes ecossistemas do país.

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